Segunda-feira, 5 de Março de 2012

HOMENAGEM AOS BALEEIROS

Machico presta homenagem aos baleeiros madeirenses


O município de Machico e o Museu da Baleia da Madeira (MBM) homenageiam os baleeiros madeirenses por ocasião do centésimo aniversário do antigo baleeiro caniçalense, José Martins.

Assim, e como forma de prestar homenagem aos baleeiros madeirenses, é inaugurada quarta-feira a exposição temporária 'Caça À Baleia: Arte&Factos' organizada pelo museu e o Centro de Actividades Ocupacionais de Machico.
Fonte:  D.N. de 05-03-2012

Domingo, 4 de Março de 2012

A TARTARUGA DA CIDADE E A TARTARUGA DO CAMPO



A TARTARUGA DA CIDADE E A TARTARUGA DO CAMPO


Certo dia no mês de Março, fomos alertados para um barulho estranho no jardim. Deparámo-nos com surpresa com uma tartaruga acabada de cair de um quintal da vizinhança. Possivelmente teria estado em hibernação à algum tempo e ficamos sem saber o que fazer com aquele animal. Até que alguém sugeriu que em Água de Pena existir uma outra tartaruga no tanque de rega das Queimadas. Ora, como estávamos de férias e iríamos em breve passar alguns dias na quinta, resolvemos levá-la.

Começámos por colocá-la numa cesta de vimes tapada e lá foi a tartaruga de autocarro a caminho de uma nova casa. Ao chegarmos a Água de Pena, uma das primeiras tarefas, foi colocá-la no já referido tanque de rega, de forma rectangular e com uma altura de aproximadamente meio metro de profundidade. E ficamos junto à berma, a vê-las nadar de um lado para o outro, onde de vez em quando vinham à superfície respirar.

De regresso das férias, todas as vezes que telefonávamos para os caseiros, perguntávamos como estavam as tartarugas, ao que recebemos a notícia de que uma delas, apareceu a boiar morta. Nunca soubemos qual delas acabou por sucumbir, embora nos parecesse que a tartaruga da cidade, possivelmente teria sido vítima da que já se encontraria no referido tanque.

O tanque ainda hoje existe, resistindo ao tempo e às inúmeras mudanças que toda a zona envolvente tiveram. Quando por ali passo, recordo sempre aqueles momentos mágicos em que debruçados no muro circundante, passávamos a tarde vendo-as para cá e para lá, em longas braçadas, deslizar na água. Porventura, na esperança de um dia ainda poder ver uma das tartarugas viva…



Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

À ESPERA DO AVIÂO


14 de Março de 1965 - Aí estamos nós! Sentados na miudinha pedra do jardim, esperamos que o avião desponte no horizonte. Viras a cara para o lado, não sei em que pensavas ou evitavas o Sol. Ao fundo, as portas da sala, à direita o silêncio da capela de quando em vez quebrado pelos toques do sino, enquanto eu admirava o circulo colorido do vitral. O tempo parava para nós! Mas o tempo silencia o nosso pensamento...   

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

UM AVIÃO NO HORIZONTE - 2ª.parte

Primeiro, todos queriam tocar o velho sino. Ouvir o som expandir-se entre os pequenos montes da quinta. Leão, abanava a cauda sem saber a quem dirigir-se perante tamanha confusão. Alguém alvitrou que tínhamos de lavar as mãos e ir para a mesa. Então, todos se precipitavam para a torneira mais próxima, causando um engarrafamento geral.

No piso térreo, a sala de jantar escancarava as portas com as venesianas pintadas de tons verde garrafa. Ao centro, a imensidão da mesa, lembrava mais uma festa de casamento que um almoço de meninada em férias escolares. Pratos e talheres primorosamente colocados, ocupavam os respectivos assentos das cadeiras feitas de vime ou de assentos em palhinha.

O nervosismo era geral! Os que eram estreantes arregalavam os olhos, onde cada canto, cada objecto eram novidades. Quem conhecia a casa, dava palpites e comentava futuras visitas a lugares esconsos, capazes de causar a maior das emoções e espanto.

Talheres tocavam e rapavam o fundo dos pratos, via-se que estavam com fome… É destes ares do campo! – comentavam os mais velhos. Agostinha presenciava num canto da sala e repreendia um a um, dizendo meio-amuada:
 - Só isso? Tanto comer bom que eu fiz e não comem nada? Credo, estas crianças não comem nada que preste! Nem sei para que faço almoço?!

As portas abertas de par em par, refrescavam a atmosfera. Os pratos iam mostrando o fundo da porcelana e então alguém gritou:

- Vem aí o avião…! Como se fosse a hora de saída do colégio, a criançada precipitou-se toda para o pátio em busca no horizonte do dito aparelho voador.

Os mais cépticos ainda comentavam… aonde? Não vejo nada!... ali!.. Não vês ali, mesmo à frente do teu nariz… enquanto uns apontavam o horizonte, outros curvavam o pescoço na direção recomendada. Ao longe, o pequeno e minúsculo avião virava rumo a terra. Depois, víamos um pontinho cinzento tomar forma, virar na rota da pista do campo de aviação, como diziam na altura. Aí vem ele…aí vem ele!... O Constellation faz-se na direção do asfalto e por fim aterra sem pressas. As hélices em movimento, etoam um doce barulho e os mais pequenos batem palmas felizes por verem aterrar um avião. Alguns ainda duvidam e questionam os adultos… E como é que o avião sabe onde vai parar? E como que é que os senhores que guiam o avião dão com o aeroporto? E… tantas perguntas que os adultos exaustos não tinham já capacidade para satisfazer a curiosidade duma tarde tão emotiva passada no velho mirante.



Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

CONCURSO POEMAS DE AMOR

Estão abertas as inscrições para o VI Concurso Poemas de Amor, patrocinado pela Junta de Freguesia de Machico. Mais informações no site da Junta.

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

UM AVIÃO NO HORIZONTE - Iª. parte

Maria aproximou-se do balcão que circundava o pátio da casa e gritou:

- Estou a ver um horário! Será que vêem naquele?

O velho autocarro da SAM, contornava as curvas ora aparecendo ora desaparecendo, conforme os relevos das montanhas verdejantes. Por fim, apareceu endiabrado na reta de Água de Pena, como se viesse atrasado no tempo. Chiou levemente, até imobilizar-se por completo, onde um pequeno tubo metálico indicava as palavras a negro “Paragem”! Autocarros.






A azáfama era grande! Pela porta do meio do velho carro de tons verdes, iam saindo os passageiros. Depois, um bilheteiro contornava a camioneta e dirigia-se às traseiras. Empoleira-se numa escada desdobrável, indo até ao topo do tejadilho, onde os passageiros davam indicações das suas bagagens. Uma cesta de vime que mais parecia um ovo gigante, apareceu nas mãos do cobrador enquanto no asfalto, davam indicação com os braços esticados, para que nada se estatelasse no chão.



No mirante, Maria dava ordens à Agostinha, a velha criada que tinha a incumbência de orientar a cozinha.


- Já podes começar a abafar as travessas! Os meninos já chegaram…


Enquanto o horário arrancava numa fumarada negra e espessa com cheiro a diesel queimado, as crianças acompanhadas dos adultos sentiram pela primeira vez, um silêncio estranho. Sim! De repente, aquela paz fez-se notar na atmosfera quente e solarenga do final da manhã. Era o campo, como diziam lá na cidade. O silêncio, a brisa quente e o sussurrar dos verdes pinheiros baloiçando. As avezinhas atravessaram o lanço de alcatrão e entraram de rompante o velho portão escancarado. Surgiu então, uma ligeira calçada de pedra miúda ladeada por vinhas e bananeiras. Lagartixas escondiam-se entre cinzentos calhaus de basalto. Era correr, para ver quem chegava primeiro a casa, quem primeiro descobria as novidades de estar em perfeita liberdade e de ver o velho Leão ladrar à procura do afago da meninada. Por fim, contornávamos uma ligeira curva para a esquerda e aparecia o imenso pátio de pedrinha negra e redonda onde sobressaiam desenhos geométricos feitos de outras brancas pedras.



Depois, era ver a algazarra de quem caia nos braços das velhas e incansáveis trabalhadoras, entre abraços e beijos, elogios e espanto do tamanho destes meninos. Como se tivéssemos todos crescido desde essa manhã entre o Funchal e Água de Pena.










Sábado, 10 de Dezembro de 2011

ESTE DOMINGO - FEIRA DE ARTE EM MACHICO

Feira de arte em Machico

A Câmara de Machico, em conjunto com a Direcção Regional de Assuntos Culturais e o artista plástico Luís Filipe Pessoa e Costa, organizam o Mercarte. A feira de artesanato e de arte decorre no próximo domingo no Largo da Praça, em Machico, das 10h30 às 18h00.

Marta Caires
D.Noticias de 10.12.2011