quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

AUGUSTA - COZINHEIRA MÁGICA

Postal do pintor Max Römer
Agostinha

Era mágica esta mulher! Tinha as mãos de ouro como cozinheira-mor da casa. Teria vindo muito menina, da Ponta do Sol sua terra natal, para trabalhar como aprendiz de cozinheira e posteriormente com total liberdade para as fainas culinárias. Dizia-se que uma boa cozinheira, podia prender um homem!... Confesso que não sei… O que sei é desde muito cedo, sempre fui bom garfo e a Agostinha prendeu-me toda a vida pelo bom petisco e não só, por um cálice de vinho Madeira que nos fazia sentir nas nuvens!
Eram às sextas-feiras que o Senhor Manuel trazia do velho terno na Rua do Seminário, as carnes e legumes em cestas de vime ou de cana vieira entrelaçada, as compras do mercado. Num dos braços, vinha sempre um garrafão de vinho da casa, diziam uns que para temperar os bifes… Em dia de São Bife, Agostinha convidava-me a ir à velha dispensa por baixo do vão da escadaria, às escondidas bebiamos um copito de vinho antes do tempero dos bifes. Dos altos céus, Baco mostrava aquele ar prazenteiro, voltas de contentamento, até ao dia em que fomos apanhados em “flagrante delitro”. Caíu o Céu e a Trindade!
_ Como é possível dar vinho a uma criança? Resposta pronta da Agostinha:
- Menina isto não faz mal a ninguém! É vinho para temperar os bifes…

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