terça-feira, 14 de abril de 2009

OBRA A MEIO HÁ SETE ANOS

Com a devida vénia, divulgo o texto integral publicado no Diário de Noticias, de hoje dia 14 de Abril


Obra a meio há sete anos
População espera há sete anos por 350 metros de estrada, em Água de Pena, Machico
Data: 14-04-2009


É mais uma daquelas obras que o presidente do Governo Regional inaugurou com pompa e circunstância mas que nunca foi concluída. Por causa dessa situação, há sete anos que quinze famílias do sítio dos Cardais à Bemposta, em Água de Pena, Machico, esperam pela conclusão de 350 metros de estrada que, segundo o gabinete do secretário regional do Equipamento Social, nunca foram concluídos por culpa de entraves nos respectivos processos de expropriação. Os 350 metros que estão em falta são apenas uma pequena fatia do total de 1.500 metros de estrada que faria a ligação entre o sítio dos Cardais e o sítio da Igreja, tal como explica, por escrito, o gabinete do secretário. A tutela do Governo Regional dá conta de que o "primeiro troço, com cerca de 1.150 metros, ficou concluído no início de 2002, sendo que os restantes 350 metros - o troço em questão - serão finalizados logo que estejam concluídos os processos de expropriações respectivos e que têm apresentado dificuldades de concretização". Para o presidente da Junta de Freguesia, o socialista Avelino Conceição, o Governo Regional até construiu "um óptimo eixo viário na freguesia", mas admite que este trecho de estrada faz muita falta à população. "Este é um local onde não há acessos fáceis. A construção do resto da estrada ia facilitar a vida a muita gente". Moradores insatisfeitosEnquanto este assunto não se resolve, os grandes prejudicados são os habitantes desta localidade. Alguns têm apenas cerca de 20 centímetros de vereda para se deslocarem para casa e por isso pedem ao Governo para resolver a situação à força. Outros queixam-se da idade e das dificuldades de locomoção. Para Lucinda Franco, o que sucede nesta localidade é inadmissível. "Esta é uma zona que tem muitas pessoas idosas com dificuldades em caminhar e, por causa disso, passam um calvário todos os dias. Tudo está parado por causa de duas pessoas que exigem mais dinheiro do Governo para as expropriações". Esta moradora lembra que muitas famílias desta localidade deram terrenos gratuitamente para que a estrada fosse feita, mas os entraves estão a dificultar o processo. Também Ana Maria Ferro utiliza uma pequena vereda que, gradualmente, vai diminuindo de tamanho. É de opinião da vizinha: acha que o Governo deve resolver esta situação. "Está visto que isto não se resolve a bem. Se não vai a bem, vai a mal. Há mais de quinze famílias que estão a ser prejudicadas por causa de duas pessoas, não é justo". Abaixo-assinado a pedir alcatrãoMais abaixo, os moradores das 18 casas da Urbanização da Igreja, na Bemposta, todos os dias têm de desafiar os carros em cerca de vinte metros de estrada que não apresenta condições mínimas para a circulação automóvel.Cansados desta situação, os moradores juntaram-se e fizeram um abaixo-assinado que foi apresentado na autarquia machiquense, a exigir pelo menos a pavimentação daquele bocado de estrada. No meio de tantas tentativas, o problema continua por resolver. Para o presidente da Câmara Municipal de Machico, Emanuel Gomes, esta é uma estrada que começou por ser municipal, mas agora é regional, uma vez que o Governo chamou a si a realização da obra. "Quando nós autorizámos o licenciamento da Urbanização da Igreja, o Governo já tinha previsto construir aquela estrada como um dos acessos à via expresso, mas houve problemas com a expropriação dos terrenos e o assunto ficou parado até agora". O impasse já se prolonga há vários anos, enquanto parte da estrada continua, num misto de terra e cimento, a aguardar conclusão. O autarca admite que o assunto deverá estar desbloqueado em breve. "Temos insistido com o Governo para que a estrada se desbloqueie. Penso que em breve vamos ter uma solução para ali". Urbanização empatadaOs buracos na estrada e o impasse em torno do arranque da segunda fase do caminho não são os únicos problemas que os moradores da Urbanização da Igreja, na Bemposta, têm de lidar.Pelos dados recolhidos, o empreiteiro que construiu estas mesmas casas, Freitas&Belo Lda., fez adiar a segunda fase da construção desta urbanização de luxo. Como consequência, os arredores do local mais parecem um estaleiro abandonado, com várias betoneiras e outros tipos de equipamentos de construção civil abandonados no local. O DIÁRIO tentou contactar com a empresa promotora da obra, mas o número que possuía, de Lisboa, não se encontra atribuído.
Ana Luísa Correia

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