segunda-feira, 20 de abril de 2009

TRADIÇÕES E MÚSICA CORAL


Tradições e música coral são prioritárias em Água de Pena
O grupo de danças e cantares já tem viagem marcada para actuar lá fora, em Pombal
Data: 20-04-2009

Em ano de aperto financeiro, há quem tenha a arte e o engenho para desenvolver iniciativas culturais, mesmo sabendo que delas não resulta contrapartidas económicas, trabalho com a consciência da preservação das tradições locais. É assim em Água de Pena, freguesia de Machico, que tem dado prioridade ao canto coral, danças e cantares populares, e às iniciativas literárias dirigidas às gerações mais novas. Actualmente, uma das formações mais representativas é o Grupo de Danças e Cantares de Água de Pena, fundado a 29 de Julho de 1979, por ocasião das festas da padroeira Santa Beatriz."Antigamente, cada sítio da freguesia fazia uma romagem para levarem a santa para a igreja e formava-se um grupinho da rapazes e raparigas não só para animar a romagem mas também a festa", começou por dizer João Branco, um dos fundadores desta colectividade. "E foi baseado nisso que formei o grupo. Aproveitei algumas músicas que se cantavam nessa altura e também procurei recuperar para os trajes a forma como as pessoas mais velhas vestiam os rapazes e as raparigas para as romagens, além de também me ter inspirado no folclore madeirense. Ou seja, fiz uma mistura. E este ano vamos celebrar três décadas", adiantou. "Hoje, temos cerca de 30 de pessoas de várias idades. Os que dançam são os jovens, cujas idades vão dos 12 até para além dos 20 anos. Na orquestra, temos pessoas com idades que vão dos 40 até aos 60 anos e algumas fizeram parte do primeiro grupo. Sabemos que num grupo há sempre saídas e entradas, mas não tem havido problemas", completou. Mas o percurso não foi fácil, já que o grupo, apesar de ter gravado um LP (disco em vinil de 33 rotações por minuto), esteve inactivo: "Parámos durante 12 anos porque houve pessoas que emigraram e outras casaram. Só que surgiu a Casa do Povo e convidou o grupo. Em 1994, recomeçámos e através dos intercâmbios que vamos fazendo já actuámos em algumas ilhas dos Açores e também no norte e sul do continente. E para este ano já temos programado um intercâmbio para irmos a Pombal. O grupo convidado virá cá em Julho, no âmbito do Encontro de Folclore de Água de Pena, e depois iremos lá. Também actuamos três vezes por semana em unidades hoteleiras o que é uma fonte de receita para o grupo", acrescentou. Diz que os jovens da freguesia manifestam interesse pela música tradicional e aponta como próximas metas a gravação de um CD e uma deslocação ao estrangeiro.Na defesa do que é da freguesia, o grupo recolhe e mantém as tradições locais: "Temos, por exemplo, as canções 'Baile Popular', 'Baile do Campo', 'Canção do Trigo', além de um tema dedicado à Fonte do Seixo, património da freguesia de Água de Pena e que está a ser recuperado pela Casa do Povo, além de outras que têm sido recolhidas durantes as romagens das festas", concluiu.Grupo Coral até junta freguesiasO Grupo Coral das Casas do Povo do concelho de Machico existe há 15 anos e integra as cinco instituições do concelho. "Surgiu no dia 14 de Abril de 1994 e foi um projecto apresentado, na altura, à Direcção Regional de Desenvolvimento Rural que o aceitou", explicou Fátima Belo, presidente da Casa do Povo de Água de Pena e responsável pela direcção da formação coral. "As pessoas que integram o grupo pertencem às cinco freguesias, embora inicialmente tivéssemos mais pessoas do Caniçal, mas neste momento é Machico. Mas o facto de termos habitantes das cinco freguesias é muito enriquecedor em termos de experiências, contactos e de aproximação de idades, na medida em que temos uma faixa etária que vai dos 14 até aos 70 anos. E, em 2008, passámos a ter um local fixo para ensaiarmos e também com melhores condições", sublinhou. Hoje, o grupo dirigido pelo professor José Carlos Bago d'Uva (também docente no Gabinete Coordenador de Educação Artística) enfrenta um problema comum às demais formações artísticas: a saída dos jovens para o Ensino Superior e/ou para outras actividades.Frontal, Fátima Belo diz que ainda há preconceitos em relação à música coral, "porque os jovens associam-na a Igreja". "E não é isso [...] mas quando as pessoas conhecem o género de repertório que os grupos interpretam, passam a fazer parte deles. E o facto de termos um grupo coral infantil, de certa maneira, foi uma ideia para lhes dar a conhecer, desde mais cedo, a música coral e, posteriormente, integrá-los na grupo dos mais crescidos. Poderíamos chamar-lhe um 'estágio', mas se calhar será para eles o passar a conhecer o que é a música coral", concluiu. 'Sai de baixo' anima noite há 10 anosApesar de relativamente pequena, a freguesia de Água de Pena até se pode orgulhar de ter um dos poucos espaços de diversão nocturna que procuram descentralizar a 'noite' fora do Funchal. Trata-se do restaurante e bar nocturno Sai de Baixo que, juntamente com o Cacto Bar, funciona como uma alternativa de animação para os residentes e visitantes. "O projecto 'Sai de Baixo' já dura há 10 anos e, em 2009, estamos procurando apresentar novidades no sentido de apresentar músicos convidados com novas sonoridades", começou por dizer Carlos Sá (na foto), responsável pelos dois espaços em Água de Pena. "Apesar da crise, vamos continuar a investir" , garantiu o empresário. E adiantou: "Por exemplo, na próxima quinta-feira iremos estrear a 'Noite do Fado Vadio' destinado às pessoas da comunidade que gostam de cantar. E estou confiante que a crise irá passar... embora devagarinho. E nós, como empresários, temos de fazer um esforço sobrenatural para manter os nossos projectos com o sentido de oferecer o melhor às pessoas para que se divirtam. E nunca entregar os pontos, procurando desenvolver ideias novas sempre para a frente", concluiu Carlos Sá, que é igualmente um músico com anos de experiência, além de também animar musicalmente o Sai de Baixo e o Cacto Bar. Feira celebra AvósPotenciar o gosto pela leitura nos mais novos é uma das metas a que se propôs a Casa da Povo de Água de Pena. "Há cerca de 12 anos que realizamos a Feira do Livro, onde há sempre uma obra em destaque com a presença do autor", disse a presidente Fátima Belo. "Nas edições anteriores convidámos Eduardo Sá [psicólogo e psicanalista] e Laurinda Alves [jornalista e autora de vários livros]", acrescentou.Já no tocante à edição deste ano, adiantou: "Queremos dar atenção aos avós e ao papel que desempenham na família e também na leitura. E, possivelmente, teremos um convidado que será regional, mas que ainda não está confirmado". Mas as novidades são se ficam por aqui. "Também para este ano teremos um projecto de leitura com a Escola de Água de Pena, onde participam duas turmas dessa escola e que está a ser preparado", concluiu.
José Salvador
Artigo publicado no Diário de Noticias em 20 de Abril de 2009

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