quinta-feira, 8 de outubro de 2009

RANDÓ DAS BRUXAS

O imenso Vale de Machico, debruçado no Miradouro da Queimada - Foto CAM

Impressões
  1. Conjunto de notas que exprima, a suavidade misteriosa da Lua, meio velada, iluminando a paisagem quase agreste do Miradouro, e o silêncio do Vale Machiqueiro.

O reflexo da Lua no mar exprimindo uma saudade, longinqua, irreal...

2. De quando em vez o sopro agudo da aragem fria, passando no descampado, penetrando nas concavidades da rocha e extinguindo-se.

Novamente a calma.

3. Muito longe, um bater de asas, murmúrios, e gargalhadas abafadas, em conjunto com a 1ª. parte (1º.).

Alvoroço de asas - vozes em coro - música de dança.

Aparecimento do bando, começando a dançar.

RANDÓ DAS BRUXAS


A luz da Lua

Pálida e fria

Ilumina o mar

A rocha bravia.

A aragem fresca

Convida à dança

E o nosso bando

Todo se apressa,

Batendo as asas

Ensaia os passos

suaves e lentos

Endiabrados

conforme o vento

Urra ou canta

Sacode em fúria

A natureza.

Gritos de angústia,

Beijos de amor

Toadas mansas

Embaladoras

Da voz do mar.

Tudo prepassa

Na nossa dança.

Das almas puras

O odor das rosas.

Dos corações

O desespero

O anseio louco

D'amor infeliz.

E as nossas asas

Num remoinho

Já estão cansadas

Quase quebradas

De tanta dor.



De tanta dor

Dilaceradas.

Um murmúrio triste

Deixa-se perder

Pelas quebradas.

.......................................................

Como da terra

Brota a nascente

Também da alma

Nasce o alento

E novamente ....................

Maria Fernanda Correia

Poema manuscrito em 1963 - Água de Pena

A palavra "randó" deveria ser rondó, mas consta assim no original.

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