segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

UM AVIÃO NO HORIZONTE - Iª. parte

Maria aproximou-se do balcão que circundava o pátio da casa e gritou:

- Estou a ver um horário! Será que vêem naquele?

O velho autocarro da SAM, contornava as curvas ora aparecendo ora desaparecendo, conforme os relevos das montanhas verdejantes. Por fim, apareceu endiabrado na reta de Água de Pena, como se viesse atrasado no tempo. Chiou levemente, até imobilizar-se por completo, onde um pequeno tubo metálico indicava as palavras a negro “Paragem”! Autocarros.






A azáfama era grande! Pela porta do meio do velho carro de tons verdes, iam saindo os passageiros. Depois, um bilheteiro contornava a camioneta e dirigia-se às traseiras. Empoleira-se numa escada desdobrável, indo até ao topo do tejadilho, onde os passageiros davam indicações das suas bagagens. Uma cesta de vime que mais parecia um ovo gigante, apareceu nas mãos do cobrador enquanto no asfalto, davam indicação com os braços esticados, para que nada se estatelasse no chão.



No mirante, Maria dava ordens à Agostinha, a velha criada que tinha a incumbência de orientar a cozinha.


- Já podes começar a abafar as travessas! Os meninos já chegaram…


Enquanto o horário arrancava numa fumarada negra e espessa com cheiro a diesel queimado, as crianças acompanhadas dos adultos sentiram pela primeira vez, um silêncio estranho. Sim! De repente, aquela paz fez-se notar na atmosfera quente e solarenga do final da manhã. Era o campo, como diziam lá na cidade. O silêncio, a brisa quente e o sussurrar dos verdes pinheiros baloiçando. As avezinhas atravessaram o lanço de alcatrão e entraram de rompante o velho portão escancarado. Surgiu então, uma ligeira calçada de pedra miúda ladeada por vinhas e bananeiras. Lagartixas escondiam-se entre cinzentos calhaus de basalto. Era correr, para ver quem chegava primeiro a casa, quem primeiro descobria as novidades de estar em perfeita liberdade e de ver o velho Leão ladrar à procura do afago da meninada. Por fim, contornávamos uma ligeira curva para a esquerda e aparecia o imenso pátio de pedrinha negra e redonda onde sobressaiam desenhos geométricos feitos de outras brancas pedras.



Depois, era ver a algazarra de quem caia nos braços das velhas e incansáveis trabalhadoras, entre abraços e beijos, elogios e espanto do tamanho destes meninos. Como se tivéssemos todos crescido desde essa manhã entre o Funchal e Água de Pena.










sábado, 10 de dezembro de 2011

ESTE DOMINGO - FEIRA DE ARTE EM MACHICO

Feira de arte em Machico

A Câmara de Machico, em conjunto com a Direcção Regional de Assuntos Culturais e o artista plástico Luís Filipe Pessoa e Costa, organizam o Mercarte. A feira de artesanato e de arte decorre no próximo domingo no Largo da Praça, em Machico, das 10h30 às 18h00.

Marta Caires
D.Noticias de 10.12.2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MOONLIGHT AT SEA


O velho bau, gasto e enferrujado jazia a um canto do sótão. Numa das minhas aventuras de piratas e gastas lutas do Capitão Kid, dei por mim a olhar uma estampa de São Francisco e fiquei a mirar a imagem, vezes sem fim! Tinha outra imagem de um farol iluminando uma noite de luar. Para mim, todos os farois eram de S. Lourenço e, como fazias anos nos primeiros dias de Maio, pedinchei à minha mãe que levasse o postal ao velho Talassa da João Tavira, para emoldurar. Durante anos, ficou pendurado na parede do teu quarto, resistindo ao tempo mas mais desbotado na cor. Possivelmente, o quadro com o farol foi trocado por outra aguarela. É certo que não era nada de extraordinário, nada Max Römer com o luar sobre a Baia do Funchal, mas tinha sentimento, devoção quando cantavamos em coro acompanhando os discos pedidos em tarde de Verão. Dancemos! So happy toghether...

http://youtu.be/LmdznbLYXZ0

terça-feira, 29 de novembro de 2011

PISCINA OLÍMPICA E O ATLANTIS

A piscina olímpica (durante muitos anos a única em Portugal) e o Hotel Atlantis ex-Holiday Inn Madeira, nos seus tempos áureos.

domingo, 27 de novembro de 2011

HOMENAGEM A FRANCISCO ÁLVARES DE NÓBREGA


Homenagem a Francisco Álvares de Nóbrega "Camões Pequeno"
2011-11-22
Fonte: Junta de Freguesia de Machico
"Homenagem a Francisco Álvares de Nóbrega" reúne um conjunto de iniciativas culturais dedicadas ao poeta machiquense conhecido por "Camões Pequeno". Estas iniciativas que realizar-se-ão no próximo dia 30 de Novembro, quarta-feira, pelas 18h, no Solar do Ribeirinho. Assim, haverá lugar à apresentação pública do livro "Alma Padecente. Os Sonetos de Francisco Álvares de Nóbrega", da autoria de João Luís Freire. No Jardim do Solar será inaugurada a obra escultórica dedicada a Francisco Álvares de Nóbrega, da autoria do escultor Luís Paixão, e também, realizar-se-á a cerimónia de anúncio dos vencedores do VI Concurso Literário alusivo ao poeta "Camões Pequeno".

PROJETO APRENDER A MADEIRA


CONVITE


A equipa do projeto "Aprender Madeira", que irá promover a preparação de um DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DA MADEIRA, convida a comunidade científica, investigadores no conhecimento sobre a Madeira, sua história, cultura e ciência, a participar num PLEBISCITO CULTURAL com vista à apresentação das linhas gerais deste NOVO projeto de investigação, bem como para recolha de contributos, sugestões e colaborações com vista à construção coletiva de tão importante registo histórico sobre a Madeira.



Esta sessão será coordenada pelo Prof. José Eduardo Franco.
Fonte:Junta de Freguesia de Machico

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Livro sobre lendas das ilhas lançado em Machico


Será hoje lançado no Solar do Ribeirinho, em Machico, pelas 17h30, o livro”Lendas das Ilhas da Madeira e do Porto Santo”, da autoria de José Viale Moutinho. Editado pela Nova Delphi, este livro conta com 12 ilustrações do reverendo James Bulwer, publicadas inicialmente no álbum «Views in the Madeira» do início do Séc. XVIII.

De acordo com a editora, esta obra está integrada numa colecção juvenil e dirige-se a um público mais vasto, aspecto que foi tido em conta na redacção do texto e no tratamento gráfico.

As lendas pertencem à tradição popular e são de transmissão oral, aspecto que interessou à editora porque assim poderá «continuar a ser transmitidos aos mais novos» ao mesmo tempo que «podem ser recordados pelos mais velhos, os pais e avós, que nos animavam nos serões familiares».

De salientar que o lançamento desta obra contará com a presença de António Olim, presidente da Câmara Municipal de Machico.

Lucia Mendonça da Silva - Jornal da Madeira de 15 de Novembro de 2011



sábado, 5 de novembro de 2011

79 ANOS DEPOIS



79 anos após a sua construção, a capela de Água de Pena continua sem solução! Já tenho alertado para o facto de estar completamente ao abandono o recheio da mesma. Após as obras do início da construção do Hotel Holiday Inn Madeira em 1966, a capela foi desmantelada e colocada num anexo entretanto construido. Aí ficou o espólio, enquanto a Presidente da Administração da Matur - Srª. Fernanda Pires da Silva, anunciaria que seria construída de raiz uma nova capela onde pudesse albergar todos os paramentos, imagens e o altar original. Passado quase meio século, as promessas não foram cumpridas! O seu espólio poderia ter sido entregue à Paróquia de Agua de Pena, à Diocese de Machico ou ao Museu de Arte Sacra, mas as birras de quem pensa dominar tudo e todos, julga-se no direito de fazer o que lhe apetecer.
Estas fotos minhas, foram feitas com grande dificuldade. Primeiro quem tem a chave, colocou entraves e queixou-se de que estava com dores de cabeça e, foi o marido quem me acompanhou na visita. Dias antes, tinha sido a porta e fechaduras alvo de toxicodependentes e vândalos que se dedicam a roubar para vender a qualquer preço, peças com história que não lhes pertence mas que fazem parte da história da Madeira e consequentemente de todos nós! Um Cristo tinha sido arrancado de qualquer maneira, deixando os braços no crucifixo, enquanto levavam o resto da imagem. Lamentável! Se estivesse na posse da familia, de certeza não chegariamos a este estado de bandalheira.  
Fotos CAM

domingo, 16 de outubro de 2011

O SINALEIRO DE SANTA CRUZ



O SINALEIRO DE SANTA CRUZ

Já tenho ouvido dizer que enquanto somos recordados, estamos vivos. Confesso que não sei! Mas é bem capaz de haver algo de verdade no que acabo de escrever. E se assim é…?

Recordo-me de em meados dos anos sessenta do século passado, ao deslocar-me do Funchal para Machico ou para o Aeroporto de Santa Catarina, do trajecto que os passageiros sofriam para cumprir a distância anteriormente reportada. No sentido Funchal-Santa Cruz, começavamos por sair do Campo da Barca, virar a Estrada Conde Carvalhal em longa agonia de curva e contra-curva subindo até São Gonçalo. Depois o veículo ia até ao topo do Pináculo, onde turistas e não turistas, contemplavam o fundo da imensa ravina rumo ao oceano. Contavam-se as últimas histórias, casos de pessoas para quem aquele local inóspito, funcionava como a última fronteira da vida, o derradeiro momento de loucura, desventuras, sonhos ou desilusões (deviam fazer um estudo profundo sobre as causas desta situação). Muitas vezes atribuídas às más condições dos veículos, outras às más condições de condutores alcoolizados, o certo é que o sitio do Pináculo, mandava respeito. Os condutores mais experientes sabiam que quando passavam por ali, mantinham redobrada atenção a quem vinha em sentido contrário em especial durante a noite e situações de chuva ou nevoeiro. De autocarro, parecia que o risco ainda duplicava, devido ao tamanho dos mesmos veículos. Depois, passado essa fase mais melindrosa, o terreno era mais amplo e visível na paisagem, dando origem a curvas mais suaves até à Cancela. Quem viajava de autocarro, tinha de descer até ao Centro do Caniço, contornando cada curva ora à esquerda ora à direita, num imenso sufoco de calor, agarrados às costas do banco da frente para maior equilíbrio de ambos os passageiros. Mas era quando começávamos a descer rumo à Ponte do Porto Novo que o alívio passava. De um lado, a imensidão dos rochedos parecia desabar a qualquer momento, do outro espraiava-se ao nosso olhar, a mudança da paisagem mais agreste e ventosa, bem como os longíquos rochedos de São Lourenço e o fim de linha para o nosso modesto horizonte. Passados a referida ponte, de novo a estrada “encolhia” em pequeninas retas de asfalto até à entrada da Vila de Santa Cruz. Do lado esquerdo, casas térreas mirradas como a própria via, estava na última curva uma figura sui-generis.

Uma pequena zorra feita de madeira, um pequeno homem com pouco mais de meio metro, dava ordens com um apito e gesticulava com os braços sinais que todos os condutores compreendiam e respeitavam. Confesso que nunca tive o prazer de falar pessoalmente com o senhor, mas fazia-me confusão um ser sem os membros inferiores que se arrastava na minúscula borda da estrada, passava o dia a transmitir informações aos automobilistas numa das zonas mais problemáticas daquela estrada. Havia condutores que paravam alguns segundos para lhe agradecer, dar uma moeda ou algo que comer ao pobre homem. Outros, elogiavam momentos difíceis vividos e que graças a este “policia sinaleiro” lhe tinha salvo a vida.

Mas o que mais me marcava quando o avistava na curva, era o seu ar de felicidade, a imensidão que brotava no seu sorriso, os gestos de agradecimento ou o afecto com que desejava “boa-viagem”, aos que por ali passavam. Nunca soube sequer o seu nome, mas se fosse hoje, pararia o carro para lhe agradecer o contributo ao longo da vida para o bem estar dos imensos automobilistas.


E continua bem presente na minha memória o sinaleiro de Santa Cruz, como se acabasse de contornar a apertada curva e o visse de apito na boca, dando ordens para avançar!








sábado, 15 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

UMA CESTA COM FIGOS


UMA CESTA COM FIGOS


Estava uma daquelas tardes de calor sufocante e caminhava pela estrada deserta àquela hora do dia em busca de referências da minha infância. Procurava velhos caminhos, sítios onde outrora brincara. Até que parei! Aproveitando a sombra de uma árvore, fiquei imóvel sentindo o tempo parar, o silêncio invadir a cabeça de recordações. Tive curiosidade em retirar um pouco de terra, ver a sua cor, sentir o aroma dos pinheiros que imóveis exalavam o seu característico cheiro resinoso. Deixei correr as horas e, sem dar conta, embrenhado nos meus pensamentos, surgiu uma mulher a perguntar-me se andava perdido? Respondi que estava a relembrar aquele bocado de terreno, a tentar visualizar traços que o tempo vai transformando, revirando até não termos mais pontos de referência. Não satisfeita, perguntou-me o que procurava e se era dali? As minhas respostas deverão ter sido confusas para a sua mente! Entre “sins” e “nãos”, entre talvez tenha razão ou talvez não! Até que a pergunta caiu num silêncio profundo! Enorme o espaço de tempo entre o fim da última e o início de outra que despontava. Trocamos nomes de famílias, e aí fez-se luz… A face da simples mulher iluminou-se. O seu sorriso alargou-se como prova de que afinal conseguia ler a minha mente. E disparou …


- Então o menino…. E revolveu toda aquela terra, aquelas pedras, aqueles cheiros dos verdes pinos… revolveu o meu pensamento, remexeu a minha infância, a minha vida!


- Venha cá que eu vou dar-lhe uma cestinha com figos daqueles pretos para levar para o Funchal! E num ápice, foi a casa num pulo e regressou com uma bela cesta de bêberas forradas com folhas da figueira que possuía no terreno.


Fiquei estupefacto que alguém conseguisse passados tantos anos ter referências sobre a minha pessoa, mas extremamente orgulhoso quando entrei no autocarro rumo a casa e depositei na mesa da cozinha, aquele cesto de fruta madura vindo de Água de Pena com sabor à minha infância. Poderia sentir-me mais feliz?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

LANÇAMENTO DE LIVRO DE POESIA



No âmbito do Município da Cultura e das Festas do Concelho, a Junta de Freguesia de Machico tem agendado para o próximo dia 11 de Outubro, pelas 18h30m, na Junta de Freguesia, a cerimónia de apresentação e lançamento do livro Poemas do V Concurso Literário Francisco Álvares de Nóbrega "Camões Pequeno".

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

OBRA ALUSIVA AOS INSTRUMENTOS TRADICIONAIS MADEIRENSES



'Cordofones Tradicionais Madeirenses: Braguinha, Rajão e Viola de Arame' é o título da obra integrada na colecção 'Cadernos de Folclore' a ser lançada terça-feira, às 18h30, no Fórum Madeira, em Machico.


A apresentação do livro da Associação de Folclore e Etnografia da Região Autónoma da Madeira está a cargo do investigador na área da música, Paulo Esteireiro e realiza-se no âmbito do Congresso Nacional de Folclore, a decorrer em Machico.

No mesmo dia, a partir das 21h30, está ainda agendado o espectáculo 'ilha de Tradições' com as actuações dos grupos de folclore do Porto da Cruz, Caniçal, Machico e do grupo de música tradicional madeirense Xarabanda.
Fonte D.N. de 05-10-2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

NOVO JARDIM E VIVEIRO NA MATUR

Machico tem, agora, mais uma área ajardinada e de lazer no concelho. O novo espaço conta ainda com uma área dedicada a viveiros de plantas de baixa altitude e fica situado na zona da Matur, na freguesia de Água de Pena.

Este novo espaço, que representa um investimento de 675 mil euros, com verbas do Governo Regional e da União Europeia, através do PRODERAM, vem reforçar as áreas ajardinadas do concelho e, ao mesmo tempo, alargar também as zonas de lazer para usufruto da população.

Obra da Secretaria do Ambiente
 
Além da população local, é expectável que muitos madeirenses e turistas possam também vir a procurar este espaço. Dado que foi construído neste jardim um miradouro, a partir do qual é possível ter uma vista interessante sobre o Aeroporto Internacional da Madeira o que, com toda a certeza, irá atrair as pessoas de uma forma em geral, mas, sobretudo, aquelas que apreciam os aviões e toda a actividade aeronáutica, como é o caso, por exemplo, dos “spotters”, que poderão encontrar, ali, uma perspectiva diferente sobre a pista e registar essas manobras em fotografias e vídeos.
 
14.600 metros quadrados de área utilizada
 
De referir que esta intervenção foi levada a cabo pela Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, através da Direcção Regional de Florestas e abrangeu uma área na ordem dos 14.600 metros quadrados, sendo sete mil metros quadrados de viveiros e cerca de 7.600 metros quadrados de jardins.

Para o secretário regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, esta intervenção é extremamente positiva a vários níveis. Desde logo pelo facto de, com esta intervenção, proceder-se à recuperação urbanística daquela área, que antes estava abandonada e que passa a estar melhor organizada. Depois, acrescentou ainda Manuel António Correia, com este jardim é «criada uma zona de lazer aberta a toda a população, e não apenas à de Machico, tendo também como um dos grandes atractivos a proximidade ao Aeroporto e ao mar».

Mas, referiu ainda o secretário regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, «este será também um equipamento muito importante ao nível do reforço da estrutura verde da Região, nomeadamente, o ajardinamento de espaços públicos e privados com plantas de baixa altitude que ali serão produzidas e depois cedidas a “preços sociais”, quer às Câmaras, quer às juntas de freguesia, quer à população em geral».

Manuel António considera iniciativa muito positiva
 
De uma forma geral, Manuel António Correia considera que esta «é uma iniciativa muito positiva e que vai melhorar, não só o património natural da Região, mas também a qualidade de vida da população».

É também de realçar que esta infra-estrutura, além de permitir criar um espaço para usufruto das populações e outro para a reprodução de plantas diversas, vem também recuperar um espaço degradado e valorizar, ao mesmo tempo, o património natural da Região.

Trata-se de uma infra-estrutura fundamental para o reforço das áreas verdes e ajardinadas da Região, pois as plantas de baixa altitude nele reproduzidas serão disseminadas por espaços públicos de toda a Região que será, assim, paisagisticamente melhorada.

O espaço vem colmatar uma lacuna existente, até ao momento, em que os viveiros regionais localizados em zonas de altitude possuíam uma produção orientada para as espécies próprias dessas zonas.

Novos viveiros permitirão maior produção

Com os novos viveiros, dada a sua localização e condições climáticas específicas, será possível a produção de plantas ornamentais de cotas mais baixas, bem como de algumas espécies da flora madeirense como por exemplo o Barbusano e a Oliveira Brava.

A nova infra-estrutura, no que aos viveiros diz respeito, é constituída por uma zona de produção efectiva e por uma área de vasário (plantas em vaso de maior porte) sendo para o efeito necessário proceder à construção de uma série de infra-estruturas imprescindíveis à adequado e efectiva produção em viveiro de plantas.
 
Miguel Angelo - Jornal da Madeira de 26 de Setembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

XXI MOSTRA DA SIDRA - SANTO DA SERRA



Com o propósito de relançar a divulgação duma tradição secular que constitui o fabrico da Sidra, na freguesia do Santo da Serra, realiza-se uma fez mais a mostra da Sidra, nos dias 24 e 25 de Setembro, esta de carácter popular em homenagem a esta bebida. Esta festa conta com um cortejo, que inclui a pisa do pêro, bem como muita animação e exposições alusivas ao tema.




Programa

Sábado, 24 de Setembro de 2011

18H00 - Visita das Entidades Oficiais aos Pavilhões de Exposição com a presença do Sr. Director Regional da Agricultura

Início do Pisar dos Pêros/Maçãs

18H30 - Grupo Cultural e Recreativo da Casa do Povo de Santo António da Serra

19H00 - Missa na Igreja Paroquial do Santo da Serra

19H45 - Grupo de Romagem da Pereira

20H30 - Conjunto Musical Cró Banda

23H00 - Cristina Barbosa e sua Banda

24H00 - Discoteca ao Vivo

02H00 - Encerramento

Domingo, 25 de Setembro de 2011

11H00 - Missa na Igreja Paroquial do Santo da Serra

12H00 - Música Ambiente

14H00 - Grupo Cultural e Recreativo da Casa do Povo de Santo António da Serra

15H00 - Intervenção de Sua Excelência o Presidente do Governo Regional da Madeira

15H30 - Artista convidado José Alberto Reis

16H30 - Grupo de Danças da Casa do Povo de Santa Cruz “Latin Street Dancer’s”

17H15 - Grupo de Folclore da Casa do Povo de Santa Cruz

18H15 - Ventos do Norte

19H30 - Grupo de Romagem da Pereira

20H00 - Tuna Estudantina

21H00 - Paulo Costa e suas Bailarinas

24H00 - Encerramento

Organização:

Casa do Povo do Santo da Serra



Sidra – Um produto anterior à era de Cristo

Existem diversas opiniões e teorias sobre o aparecimento da Sidra, sendo que a maioria afirma ter origens anteriores ao tempo de Cristo. A civilização Egípcia (3.000 AC) e, mais tarde, os Gregos (600 AC) são apontados como grandes apreciadores deste tipo de produto.

Outros, julgam que a sua origem está numa bebida que os Celtas (800 AC) extraíam das maçãs. Estes terão sido os responsáveis pela expansão do produto por toda a Europa.

A Sidra foi sempre um produto de grande tradição na Europa, sobretudo na França – principal produtor actual – no Reino Unido, Bélgica e Alemanha.

Quando os Europeus conquistaram a América levaram consigo as técnicas de cultivo das maçãs e elaboração da Sidra. No século XVIII, nos Estados Unidos, os alunos da ‘Harvard Business School’ consumiam-na diariamente já que fazia parte da sua dieta. Ao contrário do Whisky e outras bebidas alcoólicas, a Sidra tinha uma boa imagem e era frequentemente consumida em celebrações de todo o tipo. Devido à aceitação que tinha, durante o período da ‘Lei Seca’, foram efectuadas diversas manifestações para que fosse excluída da lista de bebidas proibidas.

Os três primeiros presidentes dos Estados Unidos, George Washington, John Adams e Thomas Jefferson, foram consumidores acérrimos de Sidra e numerosos presidentes ofereciam-na nas suas recepções. William Henry Harrison (1773-1841), por exemplo, chegou a utilizar um barril de Sidra como logótipo da sua campanha.

A Sidra em Portugal

Este produto, tal como noutros locais da Europa, foi introduzido pelos Celtas e fazia parte da chamada Dieta Atlântica. A Sidra era tradicionalmente do norte mas praticamente desapareceu. Restam apenas alguns registos de pequenas produções caseiras e artesanais, com especial destaque para a Região Autónoma da Madeira onde ainda hoje é costume beber-se alguma Sidra.
Fonte:C.M. Machico

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Machico em festa

Machico em festa este mês e no próximo


O programa das festas do concelho de Machico arranca esta sexta-feira, dia 23, no Fórum Machico, com a abertura da exposição alusiva às “Jornadas Europeias do Património” (que se prolongam até 21 de Outubro), e a 28 de Setembro, com a instalação de Hugo Olim, no Forte de Nossa Senhora do Amparo.

Machico vai estar em festa nos meses de Setembro e Outubro, com a Câmara Municipal a aliar a celebração do Dia do Concelho (a 9 de Outubro) ao programa de iniciativas previsto para o Município da Cultura 2011.


Dessa forma, os diversos eventos socioculturais e desportivos terão o seu início esta sexta-feira, dia 23, no Fórum Machico, com a abertura da exposição alusiva às “Jornadas Europeias do Património” (que se prolongam até 21 de Outubro), e a 28 de Setembro, com a instalação de Hugo Olim, no Forte de Nossa Senhora do Amparo.


Na quinta-feira, dia 29, o Centro Cívico do Porto da Cruz acolherá o lançamento do livro “Jangalinha - Uma Quinta no Porto da Cruz”, de Manuel Cruz Pestana de Gouveia. Nesse mesmo dia, e no que toca à programação desportiva, arranca o Torneio de Veteranos – Futebol, no Campo de Futebol Tristão Vaz Teixeira, que vai decorrer até ao dia 4 de Outubro.


Já no mês de Outubro, a autarquia machiquense, em colaboração com a professora Ângela Franco, irá promover de 3 a 8 um “workshop” de aguarela intitulado “Capturar o Essencial da Paisagem através da Aguarela”.


Uma formação que será orientada pelo artista Eugen Chisnicean e que decorrerá no Atelier de Artes Plásticas.


O Dia do Concelho será assinalado no dia 8, um sábado, com o hastear da bandeira marcado para as 9h, seguido da recepção às autoridades pela Banda Municipal de Machico, a actuação do Grupo Coral das Casas do Povo do concelho de Machico, e finalizando com a sessão solene, pelas 10h30.


A partir do dia 10 de Outubro, o Solar do Ribeirinho acolherá a “Exposição de Aguarela - Machico 2011”, e para o dia 11 está agendado o lançamento da colectânea “Camões Pequeno”, na Junta de Freguesia de Machico.


A música tem especial destaque nas festas do concelho de Machico, com o concerto acústico de Miguel Ângelo & Miguel Gameiro, intitulado “Canções ao Desafio”, que acontece no dia 15, um sábado, no Complexo Desportivo de Água de Pena. Depois desse espectáculo, e conforme o JM já tinha avançado, a dupla Bryan Wilson e Sebastian Crayn irá actuar pela primeira vez neste concelho, numa discoteca ao vivo.


No domingo, o Fórum Machico será o palco de um concerto com a Orquestra de Sopros do GCEA e a Banda Militar da Madeira.


“Quotidiano de Machico em Finais do Século XVIII (a partir das Posturas Municipais)” é o título da iniciativa Conferências do Museu, que terá lugar no Núcleo Museológico do Solar do Ribeirinho, a 20 de Outubro. Filipe dos Santos é o orador convidado.


“Expedições Científicas Estrangeiras na Madeira - Século XIX - Início do Século XX” é o nome de outra conferência, desta mesma iniciativa, que se realiza no dia 27, no mesmo local, com o orador Nélio Pão.


A 22 de Outubro há teatro no Fórum Machico com o espectáculo “Dramas e Papaias”, espaço que recebe depois a 28, 29 e 30 “Eva Perón, O Espectáculo”.


Esta obra terá a sua estreia no dia 28, às 21h, antecedida de espectáculos para as escolas (às 11h e às 15h). No dia 29, “Eva Perón, O Espectáculo” será apresentado às 21h, e no dia 30, às 17h.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

PEÇA DE TEATRO NO FORUM MACHICO

Estará em cena nos próximos dias 16, 17 (às 21h30) e 18 (às 18h30) de Setembro, no Auditório do Fórum Machico, a peça de teatro “Até que o casamento nos separe”, uma adaptação do Grupo Teatral de S. Gonçalo.  
A peça, da autoria do brasileiro Eduardo Martini, tem como personagens principais um casal interpretado pelos actores Carolina Abreu (Maria Eduarda) e Diogo Fernandes (Octávio). Esta comédia tem encenação de Pedro Gouveia, a adaptação de Nuno Morna e produção de Roberto Costa.
Esta comédia fala sobre as vicissitudes normais de um casal, visto de uma forma cómica. “Um espectáculo, que prima pela elegância e pela direcção impecável das suas personagens, pela trilha sonora e pela coragem de mostrar como realmente são as pessoas entre quatro paredes”.

CONCERTO EM AGUA DE PENA


Concerto dia 15 de Outubro, no Parque desportivo de Água de Pena, às 22h30, depois com discoteca e mais surpresas. Bilhetes brevemente à venda. Preço dos bilhetes 7,5 euros até 30 de Setembro depois 10 euros.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ESPETÁCULO DE SOLIDARIEDADE


No dia 10 de Setembro de 2011, às 19 horas, no Centro Cívico de Porto da Cruz, será representada a peça de teatro“A Voz do Coração”,  pelo Grupo "Memórias". Ao grupo, criado por cuidadores familiares de pessoas com Doença de Alzheimer, junta-se em participação especial a Juventude Mariana Vicentina de Campanário.

A iniciativa pretende angariar fundos para a Delegação da Madeira, da Associação Alzheimer Portugal, por isso cada bilhete terá um preço pela módica quantia de 2 euros e podem ser adquiridos na sede da Delegação da Madeira, da Associação Alzheimer Portugal ou no próprio dia e local do evento.
Contamos consigo!
Fonte: C.M.Machico

XXVI ENCONTRO DE TUNAS E ORQUESTRAS DE BANDOLINS DA MADEIRA














A Associação de Bandolins da Madeira informa que hoje assumiu a responsabilidade de organizar o XXVI Encontro-Festival Regional de Tunas e Orquestras de Bandolins da Madeira, a ter início às 15 (quinze) horas e a realizar-se em um único dia, a (onze) 11 de Setembro 2011, no Auditório do FÓRUM MACHICO.
Fonte: C.M. Machico

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Biblioteca - mostra sobre o Ano Internacional das Florestas. Aprecie e aprenda!

Por decisão das Nações Unidas, 2011 é o "Ano Internacional das Florestas". A escolha teve por justificação a sua importância para um desenvolvimento global sustentável, a erradicação da pobreza e outros objetivos internacionalmente acordados. Entre nós, além das florestas serem tão necessárias na conservação da Biodiversidade, por exemplo, há a salientar a beleza, a riqueza e a importância da Floresta Laurissilva Madeirense, classificada pela UNESCO como "Património da Humanidade" em 1999.


Aprecie os livros aqui expostos (que podem ser emprestados) e explore os sites recomendados, em especial o das Nações Unidas, para onde pode enviar a história do seu contributo - "florests for people" 2011. Para conhecimento e exemplo a seguir. Participe!

Por último, convidamos a participar e a acompanhar-nos na nossa página no facebook!
Noticia da Câmara Municipal de Machico

MUSEU DA BALEIA INAUGURADO NO CANIÇAL



O Presidente do Governo Regional inaugurou, no passado dia 02 de Setembro de 2011, o novo Museu da Baleia, na freguesia do Caniçal, concelho de Machico.


A experiência marítima da freguesia do Caniçal, especialmente o papel que a comunidade desempenhou durante muitos anos nas campanhas da pesca da baleia, encontra-se ainda bem presente na memória colectiva da população. E foi este forte elo de ligação ao Mar, que constitui uma herança cultural e um traço marcante da identidade daquela freguesia, que o Governo Regional - através da edificação de um novo espaço -, quis preservar e reforçar, conferindo àquele património uma grandeza e vitalidade.

Concebido como um espaço permanente para a representação da pesca da baleia, os cerca de 6.000 m2 de área, junto ao passeio marítimo, foram distribuídos por diversos espaços, nomeadamente uma biblioteca, loja de artesanato, cafetaria, sala de educação ambiental, gabinetes científicos e laboratórios, um auditório, sala de exposições temporárias e loja do museu.

Na área reservada às exposições permanentes e temáticas, encontra-se a Sala dos Cetáceos, a Sala de Projecção e a Sala da Caça à Baleia.

A Sala dos Cetáceos é um espaço concebido para a exposição de um conjunto de modelos em fibra de vidro de diferentes espécies de cetáceos, parte importante da fauna marinha do arquipélago da Madeira, um modelo de exibição, uma embarcação e vários quiosques electrónicos.

No planeamento da exposição foram considerados vários modelos de cetáceos, que ficarão suspensos, a diferentes alturas, por tirante a partir do tecto da sala.

Para além de apresentarem um aspecto final o mais próximo possível da realidade e os mais rigoroso do ponto de vista anatómico, cada modelo das diferentes espécies reflectirá a idade e sexo do animasl e apresentará uma ficha descritiva acompanhada de desenhos e ilustrações científicas.

No que se refere ao modelo de exibição, este deverá constituir um cenário onde funcionará um auditório para a projecção de um vídeo 3D estereoscópico.

A embarcação, por seu lado, será um cenário onde os visitantes poderão recriar algumas actividades de investigação científica de cetáceos efectuados a bordo de pequenas embarcações, designadamente, foto-identificação, censos náuticos, telemetria, etc.

Único na Europa, o projecto da responsabilidade da Secretaria Regional do Equipamento Social, através da Direcção Regional de Edifícios Públios foi desenvolvido com o objectivo de responder ao elevado número de visitantes que procuram o actual museu naquela vila.

Workshop de Aguarela com Eugen Chisnicean

A Câmara promove, com a coordenação da Professora Ângela Franco, entre os dias 3 e 8 de Outubro, um Workshop de Aguarela, orientado pelo artista moldavo Eugen Chisnicean, que se realizará no Atelier de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Machico, junto ao Forte de Nossa Senhora do Amparo.


As inscrições, para esta actividade, estão abertas a todas as pessoas interessadas, a partir dos 15 anos, sejam elas principiantes, amadores, estudantes ou profissionais. As inscrições, no valor de 60 € (4 sessões de 3 horas = 12 horas), deverão ser feitas, até o dia 23 de Setembro, na Câmara Municipal de Machico – Gabinete da Cultura (no Forte de Nossa Senhora do Amparo), sendo o pagamento feito no momento da inscrição. O cancelamento do Workshop implicará a devolução total do montante pago.

Os participantes deste workshop terão a oportunidade de aprender a escolher o tema, a construir as suas próprias composições, a simplificar e a captar o essencial dos elementos que os envolvem e criar ambientes e atmosferas.

A Câmara Municipal de Machico através do Gabinete da Cultura organizará uma exposição com os trabalhos realizados pelos participantes do Workshop.

Para mais informações contacte o Gabinete da Cultura – Câmara Municipal de Machico, Forte de Nossa Senhora do Amparo (Frente ao Mercado Velho) Segunda à Sexta: 9h00-12h30 / 14h00-17h30

Contacto: 291 965 339



O Artista

Eugen Chisnicean nasceu em 1984 numa pequena cidade no norte da República da Moldávia. Mostrou um interesse precoce pela arte, influenciado pelo seu pai que, naquela época, estava ligado à pintura e à fotografia. Com a idade de 11 anos entrou para a Escola Infantil de Belas Artes. Foi um estudante de sucesso e participou em numerosas competições nacionais e internacionais. Em 2000 mudou-se para Chisinau, capital da República da Moldávia, e entrou para o Instituto de Artes, onde estudou Arquitectura e Design de Interiores. A partir de 2007 começou a estudar e a desenvolver a sua criatividade na pintura a aguarela, investindo e comprometendo-se seriamente com esta técnica. Actualmente, dedica-se à pintura de paisagens bucólicas e citadinas, e esforça-se constantemente para aperfeiçoar a sua técnica, no sentido de obter melhores resultados. Em 2010 foi convidado de honra no 4ª Salon de l'Aquarelle du Haillan, em França. Também participou no Simpósio de Aguarela, nas Caldas da Rainha, em Portugal e em Skopje, na Macedónia.

Apesar de relativamente jovem, Eugen Chisnicean já conta no seu currículo com alguns prémios internacionais: Melhor Trabalho da “Fine Art Views Painting Competition” – Março de 2011; 1ª lugar na “Watermedia Showcase”, Watercolor Artist, 2010; Melhor Trabalho da “Fine Art Views Painting Competition” – Março de 2010; 3º lugar na “Southwest Art magazine Competition”, 2010; 2º lugar no “The First Annual Autumn Arts Painting Challenge on FacebooK”, 2010.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

NOITE DE FADOS EM MACHICO

Noite de Fados em Machico". A Câmara Municipal promove um espectáculo de fado com artistas do concelho, no próximo dia 20 de Agosto, sábado, pelas 21h30m, no Forte de Nossa Senhora do Amparo (Alameda dos Plátanos). Este espectáculo visa dinamizar os espaços culturais e históricos do concelho, proporcionando aos visitantes e à população local momentos de fruição cultural através das diferentes expressões artísticas, em particular da música. Esta acção tem ainda como objectivo a valorização dos artistas locais.

Noticia da Camara Municipal de Machico

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

CAMINHADAS DE VERÃO


A Câmara Municipal de Machico, através do Gabinete de Desporto, irá realizar, no próximo dia 6 de Agosto uma caminhada. Esta actividade, direccionada para os amantes da natureza, realizar-se-á nos Sábados a tarde, nos dias 6, 13, 27 de Agosto e 3 de Setembro.




O ponto de encontro será sempre em frente a Câmara as 14 horas.

A realização desta actividade está dependente de alguns factores, por isso, o itinerário só será definido na semana anterior a caminhada.

As inscrições deverão ser feitas com antecedência na recepção da Câmara.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

BONGA EM MACHICO

José Adelino Barceló de Carvalho nasce a 5 de Setembro de 1942, em Kipiri, na província do Bengo, a norte de Luanda, em Angola. Filho de Pedro Moreira de Carvalho, natural de Luanda, e de Ana Raquel, do norte de Angola. Barceló é o terceiro filho de uma família composta por mais nove irmãos.
A família tratava-o carinhosamente por Zeca. A sua infância foi passada em bairros como os Coqueiros, Imgombotas, Bairro Operário, Rangel, e no Marçal. Aí vive-se um ambiente intimista de preservação das músicas e tradições angolanas, marginalizadas pela dominação colonialista presente na época. O folclore dos musseques (bairros pobres) cedo fascinou o pequeno Zeca e por isso começou a frequentar e a participar das turmas dos bairros típicos de Angola, onde iniciou a sua actividade musical. Foi no bairro do Marçal que fundou o grupo "Kissueia". Barceló resolve criar o seu próprio estilo musical, afirmando a especificidade da cultura angolana, numa época muito conturbada.
É  produto de uma geração aguerrida e marginalizada que resiste à aculturação da sociedade marginal através do respeito pela música tradicional de Angola. A cultura angolana era dominada pela colonização portuguesa de então, daí que tanto a língua como a música tradicional fossem discriminadas e impedidas de se manifestar em plenitude.
Bonga cria uma fusão entre a sua pessoa e a música de Angola, tornando-as indissociáveis e tendo como maior estandarte, o Semba, um ritmo tradicional angolano correspondente ao samba brasileiro, mas percursor deste.
Bonga também interpretou géneros musicais cabo-verdianos, sendo responsável pela adulteração da coladeira “Sodade” para uma morna, 18 anos antes de Cesária Évora a tornar mundialmente famosa.
Para além disso tem participado em CD's como por exemplo "Em Português Vos Amamos" dedicado a limor, "Paz em Angola" ou ainda "Todos Diferentes, Todos Iguais", um marco na luta contra o racismo.
Bonga recebeu inúmeros prémios de popularidade e homenagens relativamente à sua obra, onde conta com distinções varias, medalhas e discos de ouro e de platina. Bonga tem manifestado inúmeras vezes a sua solidariedade e altruísmo dando concertos de beneficência para instituições como a MRAR, a Amnistia Internacional, FAO, ONU, UNICEF
Tem mais de 300 composições da sua autoria, 32 álbuns, 6 video-clips, 7 bandas sonoras de filmes, e álbuns com inúmeras reedições em todo mundo.
Seus temas têm sido interpretados por ilustres artistas como no Brasil Martinho da Vila, Alcione e Elsa Soares, em França, Mimi Lorca, na República Democrática do Congo, Bovic Bondo Gala, no Uruguai, Heltor Numa de Morais, e muitos artistas angolanos da nova vaga.
Bonga, com mais de trinta anos de carreira, é recordista de vendas dos seus 32 álbuns, em todo o mundo, convidado para muitos espetáculos que contribuem para a imagem positiva do seu país.

Informação cedida pela C.M. de Machico

26ª. SEMANA GASTRONÓMICA DE MACHICO



Terá lugar, em Machico, de 29 de Julho a 07 de Agosto, a 26ª Edição da Semana Gastronómica, por iniciativa da Câmara Municipal, com os objectivos de divulgar a gastronomia regional, particularmente a do Concelho de Machico, e contribuir para a promoção sócio-económica, turística e cultural desta localidade.

Fonte: Camara Municipal de Machico

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Gabinete de Cultura muda-se para Forte

O antigo Forte de Nossa Senhora do Amparo, localizado junto ao Passeio de Baixo, em Machico, está a ser recuperado pela Câmara Municipal local, que reservou uma das duas divisões deste espaço para o Gabinete de Cultura desta autarquia, ficando a outra sala destinada à realização de exposições temporárias.


Isso mesmo explicou ontem o autarca Emanuel Gomes, à margem da apresentação da edição 2011 da “Semana Gastronómica de Machico”, que justificou esta medida pela «falta de instalações da Câmara».

«Instalámos o nosso Gabinete da Cultura neste forte e aproveitámos também a existência dos técnicos que trabalham agora aqui para transmitirem informações aos turistas. Vamos ter neste espaço uma placa de informação e os turistas podem vir aqui pedir esclarecimentos», especificou.

Emanuel Gomes referiu ainda que pretendem «sinalizar o Solar do Ribeirinho, onde temos também uma recepção no Solário, para também podermos dar apoio aos turistas que visitam Machico, colmatando, com dois postos de informação, a retirada do Posto de Informação da Direcção Regional de Turismo».

O presidente do município machiquense recordou que o antigo Forte de Nossa Senhora do Amparo «foi, durante muitos anos, posto da Guarda Fiscal de Machico, que depois foi transferido para a Zona Franca do Caniçal, deixando o prédio devoluto».

Posteriormente, «foi instalado (neste forte) o Posto de Informação Turística da Direcção Regional de Turismo, em Machico, e neste momento, porque se extinguiu esse posto, estamos a instalar o Gabinete de Cultura.1

Sofia Lacerda - Jornal da Madeira - edição de 22-07-2011

sábado, 16 de julho de 2011

O MIRADOURO - Parte IV



- João, o que é que há em Lisboa? Dizia-lhe.

- Não sei… A minha mãe diz que é uma cidade muito grande, maior do que o Funchal e que tem comboios e eléctricos! Tu já viste um comboio? Teresinha encolhia os ombros em sinal de negação. E vais deixar a cidade? Referindo-se ao Funchal. Vais deixar de passar férias em Água de Pena? De brincar comigo? Ele ficou em silêncio. Não lhe agradavam tantas interrogações, aquele afastamento do seu mundo, da sua infância. Quando eu for para Lisboa, vais despedir-te de mim?... Aquele nó seco na garganta, ficara paralisado, confuso. Sabia que, ao mudar para a Capital, o seu mundo encantado desmoronaria… já não poderia brincar com os seus amigos do bairro, escorregar pelas encostas de terra batida, ir aos figos pretos, caçar lagartixas com pequenos caules de palhinha, comer uvas até se fartar, ver as tartarugas nadar no tanque de rega, ir apanhar caramujos ou lapas no calhau junto à Capela de São Roque.

E ela? Iria esquecer-se da sua companheira, a sua grande amiga, dos passeios pela fazenda, dos lanches, de tomar banho no tanque. Estava desorientado!

Então certo dia, começou a ouvir boatos que vinham uns estrangeiros ver a sua quinta. Diziam que tinham muito dinheiro, que queriam fazer ali um grande hotel, que ficariam todos ricos, com dinheiro para comprar muitas coisas bonitas como só os turistas ingleses tinham. E ele via muitos estrangeiros saindo dos paquetes, percorrendo a cidade em busca de paraísos. Nesses momentos, em que em casa os adultos discutiam à mesa, fórmulas para encontrar uma saída, foi apercebendo-se que o mundo não era tão perfeito como imaginava. Os pais estavam com problemas económicos para continuar a sustentar a pequena propriedade, para pagar as inúmeras despesas que uma habitação tem, e que o melhor seria vender à dita empresa para assim construir o tal hotel. Entretanto, abandonariam a casa construída a pulso pelos bisavós e as plantações de vinha, rumo a outra terra distante. À medida que crescia, sentia o tempo escorrer como areia por entre os dedos das mãos. Então, esse dia chegou…

domingo, 19 de junho de 2011

BIBLIOTECA DE MACHICO



Fotos CAM
Tirar uma foto às instalações da Biblioteca de Machico, foi um autentico quebra-cabeça. Parecia que estava a entrar no Pentágono. Primeiro o motivo, depois a identificação e o site e o blog e ... por fim já estava a pedir desculpa que não valia a pena e que já não estava interessado em nada! Depois as funcionárias que estavam na recepção, uma delas com sotaque castelhano (mistura de Venezuela e Madeira) não entendia nada. Quando lhe perguntei se poderia consultar mapas antigos de Machico, toponimias etc. não sabia o que dizer e sempre que lhe colocava uma questão dizia que primeira tinha de perguntar à Directora da Biblioteca. Enfim, nada me surpreende! Já assisti vezes sem conta, entrar numa livraria e nem sequer fazerem o menor esforço para saber se tinham determinado titulo de um autor. Mas colocar pessoas numa biblioteca sem formação mínima sobre literatura poderá ser demasiado caricato o que nos leva a virar as costas, descer a escadaria e desfrutar a praia e o cheiro a mar. Pelo menos, esse não nos defrauda!
Quanto às instalações do referido espaço, só posso dizer bem! Excelentes, bom equipamento boa luminosidade embora pouco utentes. Peo menos àquela hora do dia! Seria bem melhor que muitos dos nossos reformados que passam horas a jogar às cartas e dominó nos jardins, passassem um tempinho a ler um qualquer livro, revista ou jornal. Aprender, não ocupa espaço no cérebro nem doi na carteira em tempos de crise! 

terça-feira, 14 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

MIRADOURO - PARTE III

Trazia às escondidas as tampinhas da caixa da graxa dos sapatos e fritavam ovos na adega! João parecia radiante com a ideia. A velha fórmula de retirar ovos por baixo da rede do galinheiro e depois fazer pequenas fogueiras de palha seca no lagar era sempre bem-vinda. Ali, eram indetectáveis aos adultos o cheiro ou o fuminho que saia da húmida cave, onde estavam a velha prensa e os objectos das vindimas.

Teresinha cuidava-o como se fosse uma mãe em miniatura. Diria mais, como se de um pequeno filho se tratasse, imitando os adultos. Depois apagavam os vestígios e iam tirar bananas pintadas dos cachos já com sinais de amadurecerem em breve. Por vezes, deitavam-se em longas correrias, pelos vales de terra vermelha, que rodeavam a quinta, ou seguiam velhos trilhos pelos pinhais, em busca do tanque de rega ou ainda mais distante, do miradouro que se debruçava sobre o vale de Machico. Era um dos seus destinos predilectos, quando sentiam que podiam explorar, a longa vista, o campo de futebol. Bem junto à praia de calhau, as pessoas pareciam pequenas como formigas, no centro da vila. Depois, procuravam movimentos de pesqueiros em busca da abrigada baía para descarregar a faina ou varar na praia. Ela conhecia o pesqueiro, onde trabalhava o pai. Aparentemente eram todos muito idênticos, mas ela achava que o barco do pai Januário era diferente. Tinha cores bem garridas, pintadas de fresco. Também sabia quando ele estava na faina ou prestes a regressar.
 
No pequeno promontório, estavam gravados, na sua meia lua, versos dum poeta que João não entendia bem. Por vezes, os adultos falavam de um Camões Pequeno, o que na sua imaginação seria um homem talvez de baixa estatura, para ser pequeno… mas por várias vezes dava com a mãe versejando uma linguagem cantada em voz doce. Nessas alturas, pedia para lhe explicar o que era aquilo. D. Rosa tentava fazê-lo compreender que eram poemas e ele achava que se assemelhavam às músicas que ouvia na velha telefonia.

Naquela tarde, Teresinha acompanhava-o ao miradouro. Por vezes subiam a velha estrada de pedra negra. João confidenciou-lhe que qualquer dia iria para Lisboa estudar. Teresinha estava estupefacta.

domingo, 29 de maio de 2011

À ESPERA DO HORÁRIO

O dia estava quente! À sombra do velho portão, desesperamos a chegada do velho horário. Confesso que não sei se era para Machico ou em direção ao Funchal (penso que seja a primeira escolha). Tempo para confraternizar e fazer o tempo passar. O silêncio doía e aquele calor que castigava os cocurutos mais sensíveis pouco habituados aos ares de Água de Pena. O tempo é o destino e tudo o mais virá...

domingo, 22 de maio de 2011

O MIRADOURO - PARTE II



- Teresinha? A silhueta da mãe apareceu à porta da habitação e aprontou-se a ecoar de novo o nome da sua filha!



- Teresinha? Vem cá! Está aqui o teu amigo João… Do fundo da cozinha, um corpinho de menina, esguio e vestidinho pregado branco, apareceu de rompante. O seu sorriso foi mágico ao ver o seu companheiro. Teresinha era assim! Simples menina, filha de pescador e de mãe bordadeira, Dona Mariazinha bordava lencinhos com vilões e viloas em trajes típicos da Madeira, fazendo-os dançar em pequenos quadrados alvos, com que presenteava os turistas em busca de “souvenirs” da Ilha. Por vezes, quando haviam encomendas de alguma casa de bordados da cidade, aproveitava para bordar peças maiores, enchendo os tracinhos com linhas coloridas, caseando os riscos azuis do anil


estampado. Tinha de aproveitar todas as oportunidades que surgiam para aumentar um pouco os magros recursos económicos da família. E eram os seus cinco filhos, incluindo Teresinha, a mais nova do clã. Sustentar sete bocas era tarefa árdua!




Teresinha tinha aquele cabelo loirinho de menina de sete anos, aqueles olhos brilhantes e puros e uns pezinhos de boneca. Por vezes João, perguntava por que é que andava descalça. Na sua ideia, não entendia por que uns andavam com bons sapatos; pastas de livros com bonecos coloridos do Walt Disney e outros meninos mostravam os pés sem qualquer protecção. Ele que nunca andava descalço, só na praia, pensava como deveria doer andar pelas estradas e terras com pedras bicudas a magoar a planta dos pés. Isto para não falar nas inúmeras pancadas e cortes nos dedos!


- Teresinha, anda comigo…vamos dar uma volta! Vamos brincar junto ao lagar!


Ela, num ápice, quase sem pedir licença à mãe, largava os afazeres da cozinha e dava saltinhos ao longo do caminho.

- E vamos brincar a quê? retorquiu a pequena.


- Sei lá!... E se eu for buscar ovos ao velho galinheiro? Queres brincar às cozinhas?
.../...

domingo, 15 de maio de 2011

AS DESERTAS - VISTA DO MIRADOURO DE FRANCISCO ÁLVARES DE NÓBREGA

E as Desertas ali tão perto... misteriosas, acompanhando o tempo e o movimento dos nossos olhares!

terça-feira, 10 de maio de 2011

O ÓRGÃO DA IGREJA DE MACHICO ESTÁ NO LUGAR CERTO


«O órgão da igreja de Machico está no lugar certo»


De acordo com Dinarte Machado, o órgão de Machico é um dos instrumentos mais importantes do país e, mesmo embora tenha levado tubaria nova, é um instrumento de grande valor histórico.
Após um longo trabalho de restauro, realizado pelo mestre organeiro Dinarte Machado, o “novo” órgão da igreja paroquial de Machico foi apresentado ao público dia 4 de Dezembro de 2005 com um concerto inaugural, na altura presidido pelo Bispo D. Teodoro de Faria.
Encontrado pelo especialista em muito más condições, este órgão foi alvo de um trabalho de intervenção que passou não só pelo restauro mas também pelo estudo da sua importância histórica.
Sabendo da recente existência de uma opinião contrária à colocação do instrumento naquela igreja, Dinarte Machado — que se encontra neste momento na Região—, afirmou ao Jornal da Madeira que aquele órgão «não foi colocado na capela-mór por mero acaso ou por mera vontade minha, do prior ou de um conjunto de pessoas», mas sim, «porque o rigor do seu estudo e do ponto de vista da sua complementariedade, a nível estético-estrutural, apontava directamente para ali e não para outro sítio qualquer».
Deixando claro não querer «alimentar polémicas», o mestre organeiro, responsável pelo restauro de todos os órgãos históricos da Região, revelou que «foi feito um estudo profundo», encomendado por si, e que, «tal como aconteceu com todos os órgãos até agora restaurados aqui na Região, aquilo que ali foi feito não foi feito de ânimo leve».
Recordando que o órgão da igreja paroquial de Machico, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, «é um instrumento cuja construção se aproxima em muito da escola gótica», Dinarte Machado sublinhou que «podemos estamos a falar de um instrumento tão ou mais importante quanto o órgão da Catedral de Évora».
Tratando de ligar a história da igreja matriz de Machico à história da Madeira, o conservador disse ter encontrado pistas seguras de que esta foi no passado um templo maior do que é hoje. Além disso, continuou, «à luz da época, não era frequente encontrarmos instrumentos encastrados e também resulta que o órgão foi encontrado completamente desfigurado e que revelou, na sua constituição, aspectos únicos do ponto de vista científico e organológico».
O organeiro contou que «ao retirarmos toda a madeira que não fazia parte das madeiras originais percebemos claramente que o órgão já tinha estado em outro sítio. Aliás, um dia, o já falecido padre António Martinho alertou-me para a hipótese do órgão estar colocado num sítio redondo, baseando-se, na altura, em dados documentais e físicos, mostrando-me de seguida um arco que ele próprio tinha tapado para usar como sala de catequese. Depois de analisado esse arco fizemos um estudo rigoroso, com pessoas que chamei para poderem fazer estudos comparativos, inclusivamente de madeiras que estavam encastradas como suporte do órgão, e verificámos, sem qualquer sombra de dúvida, que o órgão tinha sido colocado inicialmente na capela-mor, no local onde está actualmente».
O mais curioso — continuou a explicar — é que não foi feita nenhuma adaptação, antes pelo contrário, foi feito um aproveitamento estrutural da caixa, retirando todas as madeiras que não faziam parte da sua origem e que são perfeitamente identificáveis».
«Sabendo eu que existe alguém que efectivamente poderá apontar, nos dias de hoje, que o órgão estará deslocado no contexto da sua utilização, eu gostaria de dizer que se trata de um órgão histórico, que fala por gerações e gerações e que, por respeito a essas mesmas, ninguém, sem seja for, tem o direito de opinar directamente para a mudança desse instrumento». Além disso, sustentou, «o estar convicto de que aquele órgão era dali e que aquele conjunto estético é um dos mais bonitos das igrejas daquela arquitectura que eu conheço do país, enquanto vivo for, não serei aquele que fará a mudança daquele instrumento», afirmou.
Ainda a respeito da importância histórica deste instrumento, Dinarte Machado esclareceu que este órgão já foi alvo de «estudos profundos e que todos os elementos recolhidos estão devidamente acondicionados e estudados, estando estes entregues a alunos que se dispõem a fazer teses de doutoramento acerca do assunto».
Órgão de Machico não foi o único a sofrer graves alterações
Dinarte Machado diz que desde os primeiros trabalhos efectuados na Região notou que os órgãos, pela ausência de técnicos especializados e pela sua não-utilização, foram sempre alvo de más intervenções por parte de curiosos locais.
«Esses “curiosos” iam adaptando os instrumentos às necessidades amadoras da altura. Obviamente que o instrumento, vindo do seu aspecto original, só vai ao encontro de músicos que tenham formação. Ou são músicos com formação para aquele tipo de instrumento ou as coisas estão postas em causa», declarou, revelando que foi o que acabou por acontecer também com o órgão da Sé do Funchal.
«O órgão da Sé sofreu uma adaptação que, a meu ver, foi completamente absurda que descaracterizou o instrumento por inteiro. Aliás, o mesmo aconteceu com o do Convento de Santa Clara, Ponta do Sol e o do Bom Jesus, no Funchal. Alteraram estes instrumentos em função da sua originalidade. Por sorte, na altura da intervenção a quantidade de material histórico indicativo era maior do que a quantidade de peças incidentes, significando que foi muito fácil chegar à sua origem, quer pela via da comparação quer pela via do conhecimento», frisou.
Numa altura em que sete dos 23 órgãos históricos existentes na Região já foram recuperados, o conselho deixado pelo mestre organeiro é que a Região, mais precisamente a DRAC, que é a entidade que tutela o projecto, continue a dar uso aos instrumentos porque se estes pararem poderão voltar a “morrer”.
Órgão de Stª Luzia pronto no primeiro trimestre de 2012
O restauro do órgão da Igreja de Santa Luzia está neste momento numa «fase bastante adiantada», estando a sua conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2012.
De acordo com Dinarte Machado, que é o responsável pelo restauro de todos os órgãos que estão a ser recuperados pela DRAC na Região, para além do órgão de Santa Luzia, está também a trabalhar no órgão histórico da Igreja do Colégio, instrumento que, comparadamente àquilo que tem conhecimento «estava completamente desfigurado». Segundo o mestre organeiro, «o órgão era originalmente muito mais pequeno e um dos instrumentos existentes na Madeira ainda da Escola de Organaria Portuguesa do século XVIII». A investigação, ainda «numa fase conclusiva» partirá posteriormente para a «fase de restauro» como passou a explicar.
Questionado sobre o facto de passar a existir então na Igreja do Colégio dois órgãos (um deles construído de raiz por si, concluído em 2008), Dinarte Machado esclareceu que «esta será uma mais-valia não só pelo número mas também pelas suas características diferentes».
Além disso, acrescentou, «no âmbito litúrgico, este órgão histórico facultará uma melhor aproximação e um melhor acompanhamento do coro.Já a nível cultural fará com que, nesta igreja, seja possível executar música a dois órgãos e a dois coros».
Do ponto de vista histórico, Dinarte Machado frisou que a Madeira dará, uma vez mais, «um exemplo de conservação do ponto de vista histórico-organístico porque se fosse a nível nacional, e tendo em conta a condição na qual o instrumento se encontrava, este seria provavelmente colocado no lixo».

Manutenção do Orquestrofone a cargo de Dinarte Machado
A manutenção do Orquestrofone da Quinta das Cruzes está também a cargo de Dinarte Machado. A peça, um dos “ex-libris” do Museu da Quinta das Cruzes, foi adquirida pelo Governo Regional em 1978 sendo que o seu restauro aconteceu entre 2004 e 2006 pelos técnicos Maria José Cabrita, do atelier Isopo (nas estruturas em madeira e policromia) e Dinarte Machado (nas estruturas mecânica e instrumental). Fabricado pela firma Limonaire Frères, este orquestrofone, colocado num lugar especial naquele museu e que inclui uma cafetaria, pode ser ouvido diariamente afirmando-se como uma das grandes atracções turísticas daquele espaço museológico.
Segundo Dinarte Machado, este é actualmente o maior e o mais completo orquestrofone a funcionar no país. Devido à sua antiguidade (data de 1900), o especialista refere que a sua manutenção deve ser feita periodicamente e que devem ser tomados alguns cuidados sobretudo para evitar o seu desgaste. Aliás, é por esta razão que o instrumento só é exposto ao público apenas em certas horas do dia por causa da incidência da luz solar.
A título de curiosidade, o instrumento foi inicialmente adquirido pelo primeiro Visconde Cacongo, na Feira Internacional de Paris, em Agosto de 1900, junto com algumas dezenas de músicas, sobretudo rapsódias, marchas militares, hinos, e outras músicas clássicas e populares.
Este instrumento consegue ler diversas composições musicais impressas em cartões perfurados, sendo que algumas destas músicas têm carácter inédito, como a versão da "A Portuguesa" de Alfredo Keil (1904), diversos "Hymnos" dedicados aos reis D.Carlos e D.Amélia, e os "Hymnos" Português (1900), Nacional (1904) e da Ilha da Madeira (1905).
«O seu valor museológico está não só na sua raridade, mas também no seu interesse do ponto de vista técnico e artístico, além do seu complexo funcionamento e exuberância patenteada na caixa de madeira policromada, esculpida e talhada», como pode ler-se na memória descritiva do orquestrofone do Museu Quinta das Cruzes.

Lucia Mendonça da Silva
Foto e artigo publicado no Jornal da Madeira em 10 de Maio de 2011 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O MIRADOURO - PARTE I

Uma história de meninos, das suas infâncias e adolescências, comum a muitas outras. Havia um tempo, em que dois jovens trocavam ideias, faziam promessas, encantavam-se.

Sentados num rochedo do Miradouro de Francisco Álvares de Nóbrega, olhando no horizonte o imenso Vale de Machico, até aos confins da Ponta de São Lourenço. O futuro era muito longe, como a linha que dividia o céu e o mar.


Estávamos nos maravilhosos anos sessenta!


Teresa estava sentada no sofá da sala. Olhou para o pai e suplicou-lhe:


- Conta outra vez por que me puseste este nome? Gosto tanto de ouvir essa história!...


A meia encosta da serra mostrava já sinais nos tons fulvos do Verão que se anunciava. Verdes pinheiros assobiavam ao deixar passar o vento quente do Leste. Nessa altura do ano, as manhãs mostravam-se amenas, as tardes propícias às sestas ou ao resguardo de uma sombra mais acolhedora, por onde a brisa fresca pudesse ajudar à monotonia e ao descanso, e as noites abafadas, a uma pausa nos terreiros. O mês de Junho era prenúncio dos santos populares, de festas e jantares à sobra dos velhos cedros do Líbano que rodeavam a elegante casa de dois pisos e varanda ampla. Escondidas no meio de plantações de bananeiras, encontrávamos outras pequenas habitações térreas, com os seus telhados vermelhos e paredes alvas. Ao longe, a Oeste, o recém inaugurado Aeroporto de Santa Catarina ou, como na época se designava o campo de aviação era bem visível pela sua longa recta em alcatrão. No vale anterior, a Igreja de Santa Beatriz com a sua torre sineira rectangular destacava-se no pequeno vale. Do lado nascente, a Ponta do Facho fechava-se como uma parede de basalto negro escuro à visão. Só a maior distância se destacavam o Caniçal e os rochedos mais altivos queimados pelo Sol, da Piedade e da Ponta de São Lourenço.

Nessa época, João já se encontrava de férias escolares. A escola terminava como de costume após o feriado do 10 de Junho. E era depois do almoço que sentia aquela melancolia, própria da época estival. Por vezes acabava por adormecer no balcão cimentado que circundava toda a fachada frontal. O grande banco servia de mirante, de controlo de tudo o que se passava para além dos limites da quinta e, principalmente o movimento na estrada. A melhor forma de contactar com um outro mundo. Por onde as novidades forçosamente teriam de ser controladas pela vizinhança. Apetecia-lhe dormir, mas o calor sufocava-o e decidiu-se por caminhar pelas redondezas. A mãe, apercebendo-se do momento, dizia-lhe para ir brincar ou dar uma volta. Assim fez!

Resolveu descer a pequena ladeira empedrada da propriedade para ver o movimento na estrada. No final do portão, estava colocada a paragem dos horários da SAM que faziam o itinerário Funchal-Machico. Como não havia vivalma, optou por procurar Teresinha, sua amiga, que vivia no Bairro dos Pescadores, na zona logo abaixo da estrada. Percorreu algumas casas e chamou-a…

terça-feira, 3 de maio de 2011

A MACHICO - Na fralda de dois íngremes rochedos

Na fralda de dois íngremes rochedos,



Que levantam aos Céus fronte orgulhosa,


Existe de Machim a Vila idosa


Povoada de escassos arvoredos.



Pelo meio, alisando alvos penedos,


Desce extensa Ribeira preguiçosa,


Porém, tão crespa na estação chuvosa


Que aos íncolas infunde respeito e medo.



Ás margens dela em hora atenuada,


Vi a primeira luz do sol sereno,


Em pobre sim, mas paternal morada.



Aos trabalhos me afiz desde pequeno.


O abrigo deixei da Pátria amada


E vim ser infeliz noutro terreno.

Francisco Álvares de Nóbrega
Poeta Machiquense 1773-1866

sexta-feira, 8 de abril de 2011

DO PICO DO FACHO - ANOS 70'

Nesta imagem, ainda podemos ver o ex-Hotel Holiday Inn Madeira ou o Hotel Atlantis Madeira.