domingo, 19 de junho de 2011

BIBLIOTECA DE MACHICO



Fotos CAM
Tirar uma foto às instalações da Biblioteca de Machico, foi um autentico quebra-cabeça. Parecia que estava a entrar no Pentágono. Primeiro o motivo, depois a identificação e o site e o blog e ... por fim já estava a pedir desculpa que não valia a pena e que já não estava interessado em nada! Depois as funcionárias que estavam na recepção, uma delas com sotaque castelhano (mistura de Venezuela e Madeira) não entendia nada. Quando lhe perguntei se poderia consultar mapas antigos de Machico, toponimias etc. não sabia o que dizer e sempre que lhe colocava uma questão dizia que primeira tinha de perguntar à Directora da Biblioteca. Enfim, nada me surpreende! Já assisti vezes sem conta, entrar numa livraria e nem sequer fazerem o menor esforço para saber se tinham determinado titulo de um autor. Mas colocar pessoas numa biblioteca sem formação mínima sobre literatura poderá ser demasiado caricato o que nos leva a virar as costas, descer a escadaria e desfrutar a praia e o cheiro a mar. Pelo menos, esse não nos defrauda!
Quanto às instalações do referido espaço, só posso dizer bem! Excelentes, bom equipamento boa luminosidade embora pouco utentes. Peo menos àquela hora do dia! Seria bem melhor que muitos dos nossos reformados que passam horas a jogar às cartas e dominó nos jardins, passassem um tempinho a ler um qualquer livro, revista ou jornal. Aprender, não ocupa espaço no cérebro nem doi na carteira em tempos de crise! 

terça-feira, 14 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

MIRADOURO - PARTE III

Trazia às escondidas as tampinhas da caixa da graxa dos sapatos e fritavam ovos na adega! João parecia radiante com a ideia. A velha fórmula de retirar ovos por baixo da rede do galinheiro e depois fazer pequenas fogueiras de palha seca no lagar era sempre bem-vinda. Ali, eram indetectáveis aos adultos o cheiro ou o fuminho que saia da húmida cave, onde estavam a velha prensa e os objectos das vindimas.

Teresinha cuidava-o como se fosse uma mãe em miniatura. Diria mais, como se de um pequeno filho se tratasse, imitando os adultos. Depois apagavam os vestígios e iam tirar bananas pintadas dos cachos já com sinais de amadurecerem em breve. Por vezes, deitavam-se em longas correrias, pelos vales de terra vermelha, que rodeavam a quinta, ou seguiam velhos trilhos pelos pinhais, em busca do tanque de rega ou ainda mais distante, do miradouro que se debruçava sobre o vale de Machico. Era um dos seus destinos predilectos, quando sentiam que podiam explorar, a longa vista, o campo de futebol. Bem junto à praia de calhau, as pessoas pareciam pequenas como formigas, no centro da vila. Depois, procuravam movimentos de pesqueiros em busca da abrigada baía para descarregar a faina ou varar na praia. Ela conhecia o pesqueiro, onde trabalhava o pai. Aparentemente eram todos muito idênticos, mas ela achava que o barco do pai Januário era diferente. Tinha cores bem garridas, pintadas de fresco. Também sabia quando ele estava na faina ou prestes a regressar.
 
No pequeno promontório, estavam gravados, na sua meia lua, versos dum poeta que João não entendia bem. Por vezes, os adultos falavam de um Camões Pequeno, o que na sua imaginação seria um homem talvez de baixa estatura, para ser pequeno… mas por várias vezes dava com a mãe versejando uma linguagem cantada em voz doce. Nessas alturas, pedia para lhe explicar o que era aquilo. D. Rosa tentava fazê-lo compreender que eram poemas e ele achava que se assemelhavam às músicas que ouvia na velha telefonia.

Naquela tarde, Teresinha acompanhava-o ao miradouro. Por vezes subiam a velha estrada de pedra negra. João confidenciou-lhe que qualquer dia iria para Lisboa estudar. Teresinha estava estupefacta.