sexta-feira, 29 de julho de 2011

BONGA EM MACHICO

José Adelino Barceló de Carvalho nasce a 5 de Setembro de 1942, em Kipiri, na província do Bengo, a norte de Luanda, em Angola. Filho de Pedro Moreira de Carvalho, natural de Luanda, e de Ana Raquel, do norte de Angola. Barceló é o terceiro filho de uma família composta por mais nove irmãos.
A família tratava-o carinhosamente por Zeca. A sua infância foi passada em bairros como os Coqueiros, Imgombotas, Bairro Operário, Rangel, e no Marçal. Aí vive-se um ambiente intimista de preservação das músicas e tradições angolanas, marginalizadas pela dominação colonialista presente na época. O folclore dos musseques (bairros pobres) cedo fascinou o pequeno Zeca e por isso começou a frequentar e a participar das turmas dos bairros típicos de Angola, onde iniciou a sua actividade musical. Foi no bairro do Marçal que fundou o grupo "Kissueia". Barceló resolve criar o seu próprio estilo musical, afirmando a especificidade da cultura angolana, numa época muito conturbada.
É  produto de uma geração aguerrida e marginalizada que resiste à aculturação da sociedade marginal através do respeito pela música tradicional de Angola. A cultura angolana era dominada pela colonização portuguesa de então, daí que tanto a língua como a música tradicional fossem discriminadas e impedidas de se manifestar em plenitude.
Bonga cria uma fusão entre a sua pessoa e a música de Angola, tornando-as indissociáveis e tendo como maior estandarte, o Semba, um ritmo tradicional angolano correspondente ao samba brasileiro, mas percursor deste.
Bonga também interpretou géneros musicais cabo-verdianos, sendo responsável pela adulteração da coladeira “Sodade” para uma morna, 18 anos antes de Cesária Évora a tornar mundialmente famosa.
Para além disso tem participado em CD's como por exemplo "Em Português Vos Amamos" dedicado a limor, "Paz em Angola" ou ainda "Todos Diferentes, Todos Iguais", um marco na luta contra o racismo.
Bonga recebeu inúmeros prémios de popularidade e homenagens relativamente à sua obra, onde conta com distinções varias, medalhas e discos de ouro e de platina. Bonga tem manifestado inúmeras vezes a sua solidariedade e altruísmo dando concertos de beneficência para instituições como a MRAR, a Amnistia Internacional, FAO, ONU, UNICEF
Tem mais de 300 composições da sua autoria, 32 álbuns, 6 video-clips, 7 bandas sonoras de filmes, e álbuns com inúmeras reedições em todo mundo.
Seus temas têm sido interpretados por ilustres artistas como no Brasil Martinho da Vila, Alcione e Elsa Soares, em França, Mimi Lorca, na República Democrática do Congo, Bovic Bondo Gala, no Uruguai, Heltor Numa de Morais, e muitos artistas angolanos da nova vaga.
Bonga, com mais de trinta anos de carreira, é recordista de vendas dos seus 32 álbuns, em todo o mundo, convidado para muitos espetáculos que contribuem para a imagem positiva do seu país.

Informação cedida pela C.M. de Machico

26ª. SEMANA GASTRONÓMICA DE MACHICO



Terá lugar, em Machico, de 29 de Julho a 07 de Agosto, a 26ª Edição da Semana Gastronómica, por iniciativa da Câmara Municipal, com os objectivos de divulgar a gastronomia regional, particularmente a do Concelho de Machico, e contribuir para a promoção sócio-económica, turística e cultural desta localidade.

Fonte: Camara Municipal de Machico

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Gabinete de Cultura muda-se para Forte

O antigo Forte de Nossa Senhora do Amparo, localizado junto ao Passeio de Baixo, em Machico, está a ser recuperado pela Câmara Municipal local, que reservou uma das duas divisões deste espaço para o Gabinete de Cultura desta autarquia, ficando a outra sala destinada à realização de exposições temporárias.


Isso mesmo explicou ontem o autarca Emanuel Gomes, à margem da apresentação da edição 2011 da “Semana Gastronómica de Machico”, que justificou esta medida pela «falta de instalações da Câmara».

«Instalámos o nosso Gabinete da Cultura neste forte e aproveitámos também a existência dos técnicos que trabalham agora aqui para transmitirem informações aos turistas. Vamos ter neste espaço uma placa de informação e os turistas podem vir aqui pedir esclarecimentos», especificou.

Emanuel Gomes referiu ainda que pretendem «sinalizar o Solar do Ribeirinho, onde temos também uma recepção no Solário, para também podermos dar apoio aos turistas que visitam Machico, colmatando, com dois postos de informação, a retirada do Posto de Informação da Direcção Regional de Turismo».

O presidente do município machiquense recordou que o antigo Forte de Nossa Senhora do Amparo «foi, durante muitos anos, posto da Guarda Fiscal de Machico, que depois foi transferido para a Zona Franca do Caniçal, deixando o prédio devoluto».

Posteriormente, «foi instalado (neste forte) o Posto de Informação Turística da Direcção Regional de Turismo, em Machico, e neste momento, porque se extinguiu esse posto, estamos a instalar o Gabinete de Cultura.1

Sofia Lacerda - Jornal da Madeira - edição de 22-07-2011

sábado, 16 de julho de 2011

O MIRADOURO - Parte IV



- João, o que é que há em Lisboa? Dizia-lhe.

- Não sei… A minha mãe diz que é uma cidade muito grande, maior do que o Funchal e que tem comboios e eléctricos! Tu já viste um comboio? Teresinha encolhia os ombros em sinal de negação. E vais deixar a cidade? Referindo-se ao Funchal. Vais deixar de passar férias em Água de Pena? De brincar comigo? Ele ficou em silêncio. Não lhe agradavam tantas interrogações, aquele afastamento do seu mundo, da sua infância. Quando eu for para Lisboa, vais despedir-te de mim?... Aquele nó seco na garganta, ficara paralisado, confuso. Sabia que, ao mudar para a Capital, o seu mundo encantado desmoronaria… já não poderia brincar com os seus amigos do bairro, escorregar pelas encostas de terra batida, ir aos figos pretos, caçar lagartixas com pequenos caules de palhinha, comer uvas até se fartar, ver as tartarugas nadar no tanque de rega, ir apanhar caramujos ou lapas no calhau junto à Capela de São Roque.

E ela? Iria esquecer-se da sua companheira, a sua grande amiga, dos passeios pela fazenda, dos lanches, de tomar banho no tanque. Estava desorientado!

Então certo dia, começou a ouvir boatos que vinham uns estrangeiros ver a sua quinta. Diziam que tinham muito dinheiro, que queriam fazer ali um grande hotel, que ficariam todos ricos, com dinheiro para comprar muitas coisas bonitas como só os turistas ingleses tinham. E ele via muitos estrangeiros saindo dos paquetes, percorrendo a cidade em busca de paraísos. Nesses momentos, em que em casa os adultos discutiam à mesa, fórmulas para encontrar uma saída, foi apercebendo-se que o mundo não era tão perfeito como imaginava. Os pais estavam com problemas económicos para continuar a sustentar a pequena propriedade, para pagar as inúmeras despesas que uma habitação tem, e que o melhor seria vender à dita empresa para assim construir o tal hotel. Entretanto, abandonariam a casa construída a pulso pelos bisavós e as plantações de vinha, rumo a outra terra distante. À medida que crescia, sentia o tempo escorrer como areia por entre os dedos das mãos. Então, esse dia chegou…