segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

UM AVIÃO NO HORIZONTE - Iª. parte

Maria aproximou-se do balcão que circundava o pátio da casa e gritou:

- Estou a ver um horário! Será que vêem naquele?

O velho autocarro da SAM, contornava as curvas ora aparecendo ora desaparecendo, conforme os relevos das montanhas verdejantes. Por fim, apareceu endiabrado na reta de Água de Pena, como se viesse atrasado no tempo. Chiou levemente, até imobilizar-se por completo, onde um pequeno tubo metálico indicava as palavras a negro “Paragem”! Autocarros.






A azáfama era grande! Pela porta do meio do velho carro de tons verdes, iam saindo os passageiros. Depois, um bilheteiro contornava a camioneta e dirigia-se às traseiras. Empoleira-se numa escada desdobrável, indo até ao topo do tejadilho, onde os passageiros davam indicações das suas bagagens. Uma cesta de vime que mais parecia um ovo gigante, apareceu nas mãos do cobrador enquanto no asfalto, davam indicação com os braços esticados, para que nada se estatelasse no chão.



No mirante, Maria dava ordens à Agostinha, a velha criada que tinha a incumbência de orientar a cozinha.


- Já podes começar a abafar as travessas! Os meninos já chegaram…


Enquanto o horário arrancava numa fumarada negra e espessa com cheiro a diesel queimado, as crianças acompanhadas dos adultos sentiram pela primeira vez, um silêncio estranho. Sim! De repente, aquela paz fez-se notar na atmosfera quente e solarenga do final da manhã. Era o campo, como diziam lá na cidade. O silêncio, a brisa quente e o sussurrar dos verdes pinheiros baloiçando. As avezinhas atravessaram o lanço de alcatrão e entraram de rompante o velho portão escancarado. Surgiu então, uma ligeira calçada de pedra miúda ladeada por vinhas e bananeiras. Lagartixas escondiam-se entre cinzentos calhaus de basalto. Era correr, para ver quem chegava primeiro a casa, quem primeiro descobria as novidades de estar em perfeita liberdade e de ver o velho Leão ladrar à procura do afago da meninada. Por fim, contornávamos uma ligeira curva para a esquerda e aparecia o imenso pátio de pedrinha negra e redonda onde sobressaiam desenhos geométricos feitos de outras brancas pedras.



Depois, era ver a algazarra de quem caia nos braços das velhas e incansáveis trabalhadoras, entre abraços e beijos, elogios e espanto do tamanho destes meninos. Como se tivéssemos todos crescido desde essa manhã entre o Funchal e Água de Pena.










sábado, 10 de dezembro de 2011

ESTE DOMINGO - FEIRA DE ARTE EM MACHICO

Feira de arte em Machico

A Câmara de Machico, em conjunto com a Direcção Regional de Assuntos Culturais e o artista plástico Luís Filipe Pessoa e Costa, organizam o Mercarte. A feira de artesanato e de arte decorre no próximo domingo no Largo da Praça, em Machico, das 10h30 às 18h00.

Marta Caires
D.Noticias de 10.12.2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MOONLIGHT AT SEA


O velho bau, gasto e enferrujado jazia a um canto do sótão. Numa das minhas aventuras de piratas e gastas lutas do Capitão Kid, dei por mim a olhar uma estampa de São Francisco e fiquei a mirar a imagem, vezes sem fim! Tinha outra imagem de um farol iluminando uma noite de luar. Para mim, todos os farois eram de S. Lourenço e, como fazias anos nos primeiros dias de Maio, pedinchei à minha mãe que levasse o postal ao velho Talassa da João Tavira, para emoldurar. Durante anos, ficou pendurado na parede do teu quarto, resistindo ao tempo mas mais desbotado na cor. Possivelmente, o quadro com o farol foi trocado por outra aguarela. É certo que não era nada de extraordinário, nada Max Römer com o luar sobre a Baia do Funchal, mas tinha sentimento, devoção quando cantavamos em coro acompanhando os discos pedidos em tarde de Verão. Dancemos! So happy toghether...

http://youtu.be/LmdznbLYXZ0