terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

À ESPERA DO AVIÂO


14 de Março de 1965 - Aí estamos nós! Sentados na miudinha pedra do jardim, esperamos que o avião desponte no horizonte. Viras a cara para o lado, não sei em que pensavas ou evitavas o Sol. Ao fundo, as portas da sala, à direita o silêncio da capela de quando em vez quebrado pelos toques do sino, enquanto eu admirava o circulo colorido do vitral. O tempo parava para nós! Mas o tempo silencia o nosso pensamento...   

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

UM AVIÃO NO HORIZONTE - 2ª.parte

Primeiro, todos queriam tocar o velho sino. Ouvir o som expandir-se entre os pequenos montes da quinta. Leão, abanava a cauda sem saber a quem dirigir-se perante tamanha confusão. Alguém alvitrou que tínhamos de lavar as mãos e ir para a mesa. Então, todos se precipitavam para a torneira mais próxima, causando um engarrafamento geral.

No piso térreo, a sala de jantar escancarava as portas com as venesianas pintadas de tons verde garrafa. Ao centro, a imensidão da mesa, lembrava mais uma festa de casamento que um almoço de meninada em férias escolares. Pratos e talheres primorosamente colocados, ocupavam os respectivos assentos das cadeiras feitas de vime ou de assentos em palhinha.

O nervosismo era geral! Os que eram estreantes arregalavam os olhos, onde cada canto, cada objecto eram novidades. Quem conhecia a casa, dava palpites e comentava futuras visitas a lugares esconsos, capazes de causar a maior das emoções e espanto.

Talheres tocavam e rapavam o fundo dos pratos, via-se que estavam com fome… É destes ares do campo! – comentavam os mais velhos. Agostinha presenciava num canto da sala e repreendia um a um, dizendo meio-amuada:
 - Só isso? Tanto comer bom que eu fiz e não comem nada? Credo, estas crianças não comem nada que preste! Nem sei para que faço almoço?!

As portas abertas de par em par, refrescavam a atmosfera. Os pratos iam mostrando o fundo da porcelana e então alguém gritou:

- Vem aí o avião…! Como se fosse a hora de saída do colégio, a criançada precipitou-se toda para o pátio em busca no horizonte do dito aparelho voador.

Os mais cépticos ainda comentavam… aonde? Não vejo nada!... ali!.. Não vês ali, mesmo à frente do teu nariz… enquanto uns apontavam o horizonte, outros curvavam o pescoço na direção recomendada. Ao longe, o pequeno e minúsculo avião virava rumo a terra. Depois, víamos um pontinho cinzento tomar forma, virar na rota da pista do campo de aviação, como diziam na altura. Aí vem ele…aí vem ele!... O Constellation faz-se na direção do asfalto e por fim aterra sem pressas. As hélices em movimento, etoam um doce barulho e os mais pequenos batem palmas felizes por verem aterrar um avião. Alguns ainda duvidam e questionam os adultos… E como é que o avião sabe onde vai parar? E como que é que os senhores que guiam o avião dão com o aeroporto? E… tantas perguntas que os adultos exaustos não tinham já capacidade para satisfazer a curiosidade duma tarde tão emotiva passada no velho mirante.