domingo, 11 de agosto de 2013

FÉRIAS

No século passado, os madeirenses mais afortunados iam de férias para o Santo da Serra descansar! Depois, nos tempos dos velhinhos "Ilha da Madeira", Madeirense" ou Funchalense" quando faziam escala no Porto Santo nas suas viagens redondas, levavam os traziam turistas que aproveitavam as areias da ilha para se "dourarem". Mais tarde, surgiram o "Pirata Azul" o "Pátria" e o "Independência". Já as manas velhinhas "Milano e Machiqueira" estavam inoperacionais gastas pelo tempo e cansadas da borrasca do Mar da Travessa. Vieram os "Lobos Marinhos I e II" e com eles, novas oportunidades a madeirenses ciosos de areias brancas e finas.
As praias de areia negra, eram preteridas às Canárias, às Ilhas do Caribe e Nordeste brasileiro. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

Nos anos 60', saiamos às 7 de casa. A cesta com o almoço ia recheada de petiscos feitos na véspera. Descíamos numa correria as velhas calçadas, a caminho do Almirante Reis. Era necessário todas as energias, para não perder o horário das 8 horas. A velha bilheteira, tinha um degrau de desnível em relação ao passeio da rua. A confusão, os empurrões,  e a anarquia dos passageiros e bilheteiros, os motoristas que por vezes não sabiam qual o autocarro que iriam conduzir, enervavam uns e outros. Uma viagem demoravam cerca de uma hora, desde que fosse directa, sem desvios, avarias etc... Os passageiros amontoavam-se e com eles, bagagem diversas seguiam para o tejadilho do automóvel. Na traseira uma escada metálica, era trepada por algum homem mais enérgico ou bilheteiros intratáveis para quem os pesados volumes eram tudo menos rosas.Por fim, enquanto uns se aninhavam nos bancos numerados, homens fumavam sem parar, exercitando longas fumaças como se fosse a chaminé da Casa Hinton. Pelas 8 horas, o motorista dava à chave e longas fumaças expedidas, o roncar da velha carroça Dodge dava sinais de nervosismo. Passageiros de última da hora, faziam sinais com os braços, querendo uma vaga no veículo, passageiros reclamavam que já passava da hora, quando por fim o velho horário contorna o chafariz, ultrapassa a confusão de peões que se atravessam na via a caminho das compras no mercado e sentimos nós os passageiros, que deixamos a cidade, ao contornar a Praça de Tenerife, desviar para a direita a caminho da Estrada do Conde Canavial, a caminho da Montanha, do Caniço e de Santa Cruz até à curva mais deslumbrante que anuncia a baía de Machico e com ela o términos do nosso destino, a praia de Machico.

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