sábado, 7 de dezembro de 2013

CHEGADAS

O avião acaba de pousar. Os pneus desenfreados rolam pela pista. Trava a fundo o velho 727. A hospedeira tinha rosto de Spring Time no verde da farda. Pela janela, já vejo a velha estrada torneando a montanha entre casinhas fechadas em quintais. Lembra-me o velho samba de Orly, em jeito de mistério, exílio ao pisar a terra, aquele chão velho conhecido, dobrado de saudade. E como cresceu Goretti... amigos do peito. Quanta saudade naquele azul do mar! Velho Silvestre a vida a vender flores, passa no caminho e aquela curva danada de perigosa continua mesmo ali. Quando o Verão se abre e sinto o aroma da serra, maresia do calhau e eu a chegar, a chegar, a chegar para te abraçar... Velho pato danado sempre pronto para dar bicadas e o cão que não pára de ladrar. Como cresceu o menino na capital! E eu com aquela saudade de tomar um banho na água gelada, de apanhar lapas da enseada e ver se Teresinha já tem namorado. Maria dá-me de comer que tenho uma fome tamanha do teu milho com atum e aquele cheiro a uva americana?... prontas a ser vindimadas. Tudo cabia numa chegada, num avião 727 daquele tamanho.  

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