segunda-feira, 1 de julho de 2019

CAPELA DA "MATUR" AO ABANDONO!!!


NO RASTO DE... por MARCO LIVRAMENTO mlivramento@dnoticias.pt

Aquela que ficou conhecida como ‘Capela da Matur’ não chegou a sair do papel, existindo, apenas
uma construção provisória que, hoje, está também entregue à vegetação e ao abandono, sem qualquer culto
Capela da Matur não passou de provisória CAPELA DA MATUR FOI PROJECTADA EM 1985

Quase se perdem no tempo as memórias da antiga capela que existia onde hoje se encontra o que resta do
complexo da Matur, no sítio da Queimada, em Água de Pena. Se dúvidas há em relação ao porquê do
seu estado de abandono, as mesmas são extensivas à dedicação do antigo templo. Por entre leigos e religiosos. Numa consulta aos arquivos da Secção de Obras da Câmara Municipal de Machico, o DIÁRIO encontrou um processo datado de Julho de 1985, onde constam vários documentos relativos ao projecto de
construção da Capela da Matur. Na altura, eram pedidos 180 dias para construir uma pequena ermida,
que haveria de custar “20 milhões de escudos”, conforme consta do orçamento que integra o volumoso
processo. O pedido fora feito pela Imobiliária Construtora Grã-Pará, proprietária da Matur. Na altura, devido a um problema com o alvará de loteamento, a Câmara de Machico ainda pôs em causa conceder autorização para construção, ainda assim, tal não foi obstáculo ao deferimento do pedido. A capela haveria de ser uma réplica das típicas ‘casinhas de Santana’ (veja-se o desenho que integrava o projecto). Integraria dois volumes, compostos por duas lajes de betão inclinadas. “Uma fresta rasgada a toda a dimensão da altura na união destes dois volumes define e caracteriza de modo expressivo das duas partes componentes da construção, dividindo-a uma mais alta, o Altar, e outra mais baixa, a Nave, por onde são admitidos os fiéis”, podemos ler na memória descritiva que acompanha o projecto com planta e documentos das várias especialidades.

UM ORÇAMENTO DE 1985 APONTAVA 20 MILHÕES DE ESCUDOS PARA EDIFICAR A CAPELA

há quem assegure tratar-se da ‘Capela do Perpétuo Socorro’, para outros terá sido a ‘Capela da Salvação’. O certo é que se tratava de uma pequena capela privada, pré-existente ao próprio complexo, que integrava a propriedade (quinta) aí existente. A construção do empreendimento da Matur obrigou à sua demolição, com a promessa de que um novo tempo viria a ser construído, na área envolvente ao grandioso empreendimento turístico da altura. Mas, até hoje, a capela não passou da construção provisória que albergou o recheio da antiga ermida. A vegetação, com a demolição do hotel Atlantis, aquando da ampliação da pista do aeroporto,  e consequente abandono do núcleo da piscina, acabou por tomar conta de quase todo o edifício com cobertura de zinco. Apesar de todos os nossos esforços, não conseguimos chegar à fala dos actuais proprietários daquele espaço, e, consequentemente, da capela, pelo que não foi possível seguir o rasto das peças religiosas que incluíam o espólio do templo primitivo.

Diocese pouco adianta
Contactada pelo DIÁRIO, a Diocese do Funchal, através do seu Gabinete de Informação fez saber que a capela original sofreu muito com as obras de construção do complexo turístico da Matur, salientado que,
então, foi edificada, como já aqui referimos, “uma construção precária para guardar o recheio da original
capela”, podemos ler numa nota assinada pelo padre Marcos Gonçalves.
Não deixando de referir que a capela era privada e, por essa razão, não estava aberta ao público para a
prática do culto, já que não havia qualquer acordo de uso por parte da paróquia de Água de Pena, paróquia
a que pertence o sítio da Queimada. A situação manteve-se no templo provisório. O sacerdote fez notar, contudo,que em tempos a Diocese do Funchal terá desenvolvido esforços para que fosse ali celebrada missa, mas a falta de interesse por parte dos proprietários não permitiu que essa intenção se concretizasse.
População lamenta abandono Embora já sejam poucas as pessoas que ainda se lembram da existência desta capela, alguns fiéis com mais idade lamentam que o projecto de construção de um templo novo nunca tenha avançado, da mesma forma que não deixam de criticar o estado de abandono em que se encontra o provisório. Poucos são aqueles que tiveram oportunidade de ver a capela aberta, ainda assim afirmam que
havia alguma arte sacra no seu espólio, embora fosse também propriedade privada.

Agradecimentos ao jornalista Marco Livramento - Publicado no Diário de Noticias da Madeira no dia 11 de Junho de 2019.

Quanto à questão de haver familiares interessados, eles existem mas nada podem fazer visto o recheio estar em poder da Imobiliária Grão-Pará. Na altura a sua Presidente Drª. Fernanda Pires da Silva terá feito muitas promessas que nunca cumpriu.